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Direitos Humanos

Pessoas com deficiência enfrentam pior estrutura de moradia, revela IBGE

Censo 2022 do IBGE aponta atrasos na oferta de saneamento, deslocamento até o trabalho e queda na representatividade política do grupo.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Pessoas com deficiência enfrentam pior estrutura de moradia, revela IBGE
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que as pessoas com deficiência vivem em moradias com infraestrutura inferior à do restante da população no Brasil. O estudo expõe disparidades marcantes no acesso a saneamento básico, eletrodomésticos, transporte e até na representação política do grupo no país.

Em relação ao esgotamento sanitário, apenas 59,8% da população com deficiência reside em imóveis atendidos por fossas ou rede coletora de esgoto. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual de atendimento alcança 63,1%.

O acesso ao abastecimento de água potável por rede atinge 82% dos lares desse público, frente a 83,1% do restante dos moradores. A coleta de lixo atende 90,1% das residências de pessoas com deficiência e 91,1% das demais.

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A presença conjunta dos três serviços de saneamento básico ocorre em 56,6% dos domicílios com pessoas com deficiência, enquanto atinge 60,2% das moradias habitadas unicamente por pessoas sem deficiência.

Além disso, 2,4% dos lares com integrantes com deficiência carecem de banheiro exclusivo e 1,4% apresentam paredes externas com materiais não duráveis. Nos demais domicílios, as taxas caem para 2,2% e 1,2%, respectivamente.

Acesso a tecnologias e eletrodomésticos

A exclusão digital também é visível: a internet está presente em 78,9% das casas com pessoas com deficiência, enquanto o índice chega a 90,2% nos lares das pessoas sem deficiência.

Quanto aos eletrodomésticos, 60,4% das residências do grupo possuem máquina de lavar, ante 68,9% nos lares habitados unicamente por pessoas sem deficiência.

O único indicador favorável diz respeito ao adensamento excessivo: apenas 3% das pessoas com deficiência moravam em locais com três ou mais pessoas por dormitório, contra 4,8% do outro grupo.

Segundo o pesquisador do IBGE Leonardo Queiroz Athias, essa estatística reflete a estrutura etária do grupo. “Uma boa parte das pessoas com deficiência é idosa. E as pessoas idosas vivem mais em domicílios unipessoais, com apenas um morador”, destaca.

Deslocamento e transporte

No trajeto até o trabalho, trabalhadores com deficiência levam em média 37 minutos, tempo 12% superior aos 33 minutos registrados por pessoas sem deficiência.

O uso do transporte público coletivo como ônibus ou BRT atinge 24,7% desse contingente, comparado a 21% entre pessoas sem deficiência. A necessidade de deslocamento a pé (23,7%) ou de bicicleta (7,8%) também superou os índices do outro público (17,4% e 6,1%).

Por outro lado, o uso de automóveis e táxis (32,8%) ou motocicletas (17%) é significativamente maior entre a população sem deficiência do que entre trabalhadores com deficiência (22,8% e 14,3%).

Representação política e serviço público

A representação nas urnas sofreu retrocesso. Entre as eleições de 2020 e 2024, o total de representantes com deficiência eleitos caiu de 578 para 415 no Brasil.

Para o cargo de vereador, os homens eleitos caíram de 459 para 356, enquanto as mulheres recuaram de 63 para 35. Nas prefeituras, os eleitos caíram de 47 para 23 homens e de nove para apenas uma mulher. As candidaturas totais recuaram de 6.409 para 4.813.

De acordo com Athias, o cenário confirma uma queda generalizada no engajamento político e na eleição dessas pessoas no ambiente municipal.

Em contrapartida, no serviço público federal, a presença de servidores com deficiência subiu de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025, impulsionada em parte pela melhor identificação do transtorno do espectro autista (TEA).

Acessibilidade e gestão municipal

Em 2023, somente 490 dos 5.570 municípios brasileiros contavam com infraestrutura adaptada para mobilidade reduzida em locais públicos, abrangendo 34,5% da população com deficiência.

Além disso, o passe livre municipal no transporte público era garantido por lei em apenas 480 cidades. Contudo, 83,8% dessa população vivia em municípios com alguma política de promoção de direitos do setor.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
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