O governo federal, por meio do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), concedeu ao Pix – o inovador sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central – o status de marca de alto renome. Este reconhecimento, anunciado na quarta-feira (10), visa fortalecer a proteção jurídica do Pix em todos os setores econômicos, garantindo sua exclusividade e prestígio.
O anúncio dessa importante decisão foi feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão.
Conforme destacou o ministro, essa classificação representa a mais elevada forma de proteção que pode ser atribuída a uma marca e seu símbolo, conforme previsto pela Lei da Propriedade Industrial.
Entenda o conceito de marca de alto renome
Marcas de alto renome são caracterizadas por sua notória reputação, prestígio e a confiança que inspiram na população. Esse status confere a elas uma proteção jurídica diferenciada, estabelecida pela Lei nº 9.279/1996, conhecida como Lei da Propriedade Industrial.
Essa salvaguarda se estende a todos os segmentos econômicos, garantindo que a marca seja protegida além da sua classe de registro original, reforçando sua exclusividade e evitando usos indevidos em qualquer setor.
A formalização deste reconhecimento, segundo informações do ministério, será oficializada na próxima segunda-feira (16), por meio da Revista da Propriedade Industrial (RPI), o veículo oficial de divulgação das deliberações do INPI.
Contexto: Ataques dos EUA ao Pix
Recentemente, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos tem sido objeto de críticas e "ataques" por parte do governo dos Estados Unidos, então liderado pelo presidente Donald Trump.
No início do mês, um relatório divulgado pelo escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alegou que o Pix brasileiro estaria "injustamente" prejudicando empresas norte-americanas atuantes no setor de serviços de pagamento eletrônico.
Empresas como MasterCard, Visa e Whatsapp Pay foram citadas como afetadas. O documento chegou a propor, entre outras medidas, a aplicação de uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de "práticas desleais".
Essa postura dos Estados Unidos rapidamente gerou uma forte reação por parte do governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix, enfatizando que o sistema é uma inovação brasileira. Ele ressaltou que sua gratuidade, agilidade e o volume crescente de transações, que superam as das bandeiras tradicionais de cartão de crédito, causam preocupação aos norte-americanos.
Em um evento realizado em Goiás no dia 2 de junho, o presidente Lula declarou: “A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”.
*Com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).