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Terça-feira, 21 de Abril 2026
Economia

Plataformas digitais serão obrigadas a discriminar custos de viagens para usuários

Governo anuncia criação de 100 unidades de suporte para profissionais e registro de sinistros de trânsito como acidentes laborais.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Plataformas digitais serão obrigadas a discriminar custos de viagens para usuários
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) estabeleceu que aplicativos de transporte e entrega devem especificar a divisão do valor pago entre a taxa da plataforma e o repasse aos prestadores de serviço.

A nova regulamentação consta em portaria prevista para sair nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União.

“O acesso à informação é um pilar fundamental para a liberdade de escolha do cidadão”, enfatizou Ricardo Morishita Wada, secretário Nacional do Consumidor.

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Segundo o secretário, a omissão desses dados fere o Código de Defesa do Consumidor, vigente há mais de três décadas, o que pode acarretar punições administrativas.

As sanções financeiras para quem desobedecer a norma podem alcançar cifras entre R$ 500 e R$ 13 milhões.

“A transparência é essencial para evidenciar os ganhos reais do trabalhador frente aos lucros das plataformas”, defendeu o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

As diretrizes foram apresentadas em Brasília nesta terça-feira (24), baseadas em um relatório de um grupo técnico interministerial focado em entregadores, visando ações imediatas do Executivo que dispensam o aval do Legislativo.

Acidente de trabalho

O plano governamental inclui a categoria “Trabalhador de plataforma digital” nos registros de saúde. Assim, acidentes de trânsito envolvendo esses profissionais serão devidamente catalogados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em hospitais e postos médicos.

Essa mudança facilita a busca por direitos na Justiça do Trabalho em casos de incidentes durante o expediente. A iniciativa recebeu o aval de Edgar Francisco da Silva, o Gringo Motoka, que preside a AmaBRA (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil).

O representante destacou que a categoria enfrenta jornadas exaustivas e perigos constantes, muitas vezes sem o suporte de treinamentos ou o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual pelas empresas de tecnologia.

Pontos de apoio

Outra novidade é a implementação de 100 centros de suporte em capitais e regiões metropolitanas, oferecendo infraestrutura com sanitários, água potável, vestiários e espaços para repouso e alimentação.

“Essas unidades trazem dignidade ao cotidiano”, ressaltou Junior Freitas, liderança do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, classificando a medida como uma questão humanitária básica.

“É o direito fundamental de higienizar as mãos, usar o banheiro e ter um local para comer”, complementou.

Freitas também mencionou a expectativa de que o valor mínimo por entrega, conhecido como taxa mínima, seja reajustado dos atuais R$ 7,50 para R$ 10.

“A baixa remuneração amplia a exposição ao risco. Quando o profissional se acidenta, ele perde sua única fonte de sustento”, argumentou o líder do movimento.

De acordo com ele, a revisão dos ganhos é uma pauta prioritária para quem atua no setor de aplicativos.

A discussão sobre remuneração deve prosseguir em um comitê de monitoramento liderado pela Secretaria-Geral da Presidência e pelo Ministério do Trabalho, mantendo o canal de diálogo com os trabalhadores.

*Com informações extraídas de Lílian Reis e Ivan Richard, da EBC

FONTE/CRÉDITOS: Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil*
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