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Terça-feira, 28 de Julho 2026
Justiça

Psiquiatra descreve perfil psicológico perverso de Dr. Jairinho no júri de Henry Borel

Rafael Bernardon Ribeiro, especialista contratado pelo pai de Henry, foi a primeira testemunha do terceiro dia de julgamento.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Psiquiatra descreve perfil psicológico perverso de Dr. Jairinho no júri de Henry Borel
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (27), durante o terceiro dia de julgamento do caso que apura a morte do menino Henry Borel, o médico psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro afirmou que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, possui um perfil psicológico com acentuados traços de perversidade. Segundo o especialista, Jairinho demonstraria prazer em infligir sofrimento a crianças pequenas.

O depoimento de Bernardon Ribeiro marcou o início das oitivas do dia no Tribunal do Júri. O caso investiga a morte de Henry, de apenas 4 anos, ocorrida em março de 2021.

“Consegui perceber padrão de abuso infantil. Tem padrão de perversidade em infligir dor em crianças”, reiterou o médico, reforçando suas conclusões sobre o comportamento do réu.

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Além de Dr. Jairinho, a mãe de Henry, Monique Medeiros, também figura como ré no processo. Conforme a investigação policial e o Ministério Público, a criança faleceu em decorrência de agressões perpetradas por Jairinho, com a mãe sendo acusada de omissão.

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Bernardon Ribeiro foi contratado por Leniel Borel, pai de Henry, com o objetivo de traçar o perfil psicológico dos envolvidos. Ele foi convocado pela promotoria de acusação, da qual Leniel faz parte como assistente.

Outras crianças vítimas

Para elaborar o perfil psicológico, Bernardon Ribeiro não teve contato direto com os réus. Sua análise baseou-se em depoimentos, entrevistas concedidas por eles e conversas com pessoas que conviveram com ambos.

O psiquiatra relatou ter coletado informações junto a duas mulheres que mantiveram relacionamentos com Dr. Jairinho e seus respectivos filhos, identificando um padrão preocupante.

Uma delas, Natasha de Oliveira Machado, teria sido manipulada por Jairinho com promessas de noivado e casamento. A filha de Natasha, com pouco mais de 3 anos à época, relatou ao psiquiatra ter tido o braço torcido pelo então namorado da mãe, sendo instruída a mentir sobre um suposto acidente em aula de jiu-jitsu.

Em outra ocasião, a mesma criança teria sofrido uma sessão de afogamento em uma piscina.

Outro caso mencionado pelo psiquiatra envolveu o filho de Débora Mello Saraiva, que apresentou uma fratura no fêmur, além de ter sido submetido a sessões de pisoteio e de ter a cabeça encoberta.

“É um padrão de repetição que nos leva a traçar esse perfil de que a pessoa tem prazer em provocar a dor, a tortura, e tem como público-alvo crianças pequenas”, observou o psiquiatra.

Defesas repudiam

Durante o depoimento, a defesa de Jairinho, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, distribuiu um comunicado à imprensa criticando o testemunho do psiquiatra.

“É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, argumentou Faucz.

Ele complementou que se trata de “uma pessoa que não presenciou, não entrevistou e apenas foi contratada pela acusação para expor suas impressões pessoais”.

Faucz ainda lembrou que a própria juíza havia proibido a oitiva do psiquiatra em uma fase anterior do processo, classificando-o como uma “pessoa alheia e paga para confirmar a versão acusatória”.

Em relação a Monique Medeiros, Rafael Bernardon comentou que a ré, ao ser informada sobre as agressões sofridas pelo filho, “não teve instinto de preservá-lo”. A investigação policial corrobora que Monique tinha conhecimento da violência.

Para mais detalhes sobre a investigação, leia aqui: Celular da babá levou polícia a descobrir agressões

A defesa de Monique Medeiros também interveio durante o depoimento, solicitando a impugnação do testemunho sob o argumento de que o médico não poderia traçar o perfil psicológico dos réus sem entrevistá-los. A juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo Tribunal do Júri, indeferiu o pedido.

Julgamento

Para esta quarta-feira, a expectativa é que também deponha a médica Maria Cristina de Souza Azevedo, do Hospital Barra D'Or, que prestou os primeiros socorros a Henry no dia de sua morte.

Segundo o depoimento do delegado Henrique Damasceno, ouvido na véspera, Jairinho teria pressionado o hospital para que o corpo do menino fosse liberado sem a realização de perícia.

A presença da médica atende a uma solicitação do próprio juízo do caso. Outras testemunhas aguardadas para o dia incluem o médico legista Luiz Airton Saavedra, responsável pela análise dos laudos cadavéricos, e o legista Luiz Carlos Leal Prestes, da Polícia Civil.

Polícia vê farsa

Na terça-feira (26), foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno, então titular da delegacia que investigou a morte de Henry Borel, e Ana Carolina Medeiros.

Em seu depoimento, Damasceno declarou que a versão inicial apresentada pelos réus, de que a criança teria morrido após cair de uma cama, constituía uma “farsa ensaiada”.

Ele detalhou que mensagens recuperadas do celular de Thayná de Oliveira Ferreira, babá de Henry, foram cruciais para a polícia descobrir e confirmar que a mãe tinha conhecimento das agressões.

Júri

Inicialmente, Dr. Jairinho e Monique compartilhavam o mesmo advogado. Atualmente, cada um conta com uma equipe de defesa própria. Ao todo, foram arroladas 27 testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa. A decisão final do júri será proferida por sete jurados, e a previsão inicial era de que o julgamento se estendesse por cerca de cinco dias.

Dr. Jairinho é acusado de homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, três torturas praticadas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo.

Monique, por sua vez, responde por sete crimes, incluindo homicídio, coação no curso do processo, tortura e fraude processual.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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