Aguarde, carregando...

Sábado, 02 de Maio 2026
Direitos Humanos

Relatório da ONU destaca disparidade de gênero no acesso à água

Estudo revela que 2,1 bilhões de pessoas ainda carecem de água potável segura, com mulheres e meninas sendo as mais impactadas pela crise hídrica global.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Relatório da ONU destaca disparidade de gênero no acesso à água
© José Cruz/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A segurança hídrica global continua a ser comprometida por persistentes desigualdades de gênero, afetando desproporcionalmente mulheres e meninas. Embora sejam as principais responsáveis pela tarefa de buscar água, elas permanecem à margem da gestão e das posições de liderança no setor.

Essa é a principal constatação do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, divulgado nesta quinta-feira (19) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em nome da ONU-Água.

O documento sublinha que, em mais de 70% dos lares rurais sem acesso a serviços hídricos, a responsabilidade pela coleta de água recai sobre as mulheres.

Publicidade

Leia Também:

Para Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, a inclusão feminina na governança e administração da água é um pilar essencial para o progresso e o desenvolvimento sustentável.

“Precisamos intensificar os esforços para garantir o acesso de mulheres e meninas à água. Isso não é apenas um direito fundamental; quando as mulheres têm acesso equitativo à água, toda a sociedade se beneficia”, declarou El-Enany.

Alvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e presidente da ONU-Água, enfatiza a urgência de reconhecer plenamente o papel crucial de mulheres e meninas nas soluções para a questão da água.

“É fundamental que homens e mulheres colaborem na gestão da água, tratando-a como um bem comum que proporciona vantagens a todos”, afirmou Lario.

Dia mundial da água

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos é publicado anualmente em conexão com o Dia Mundial da Água, celebrado no próximo domingo (22). A edição deste ano reitera que 2,1 bilhões de indivíduos ainda não possuem acesso a água potável gerenciada de forma segura, sendo as mulheres e meninas as mais afetadas por essa realidade.

A ONU aponta que, por serem frequentemente as encarregadas da coleta e gestão da água em suas casas, mulheres e meninas estão sujeitas a sobrecarga física, privação de acesso à educação e a meios de subsistência, riscos à saúde e maior vulnerabilidade à violência de gênero, especialmente em locais onde os serviços são inseguros ou inconsistentes.

Principais achados do estudo

  • Globalmente, mulheres e meninas dedicam um total de 250 milhões de horas diárias à coleta de água, um tempo que poderia ser empregado em educação, lazer ou atividades geradoras de renda. Meninas com menos de 15 anos (7%) têm maior probabilidade de buscar água do que meninos da mesma faixa etária (4%).
  • A precariedade das instalações sanitárias impacta desproporcionalmente mulheres e meninas, especialmente em favelas urbanas e áreas rurais. A ausência de banheiros e de água para higiene menstrual causa constrangimento e absenteísmo: estima-se que, entre 2016 e 2022, 10 milhões de adolescentes (15–19 anos), em 41 países, faltaram à escola, ao trabalho ou a atividades sociais devido às dificuldades de higiene durante a menstruação.
  • Apesar de sua função essencial no fornecimento de água para uso doméstico, na agricultura, na conservação de ecossistemas e na resiliência comunitária, as mulheres continuam sistematicamente sub-representadas na governança, no financiamento, nos serviços e na tomada de decisões do setor hídrico.
  • As desigualdades de gênero na posse de terras e propriedades afetam diretamente o acesso das mulheres à água. Muitas vezes, os direitos hídricos estão atrelados aos direitos de terra, impactando a disponibilidade de água para fins produtivos, como a agricultura. Leis e regulamentos discriminatórios na propriedade da terra colocam as mulheres em desvantagem social e econômica. Em algumas nações, homens possuem o dobro de terras em comparação com as mulheres.

Recomendações

O relatório propõe um conjunto de recomendações para impulsionar avanços significativos, incluindo:

  • Remover obstáculos legais, institucionais e financeiros que impedem o acesso equitativo de mulheres à água, à terra e aos serviços.
  • Investir em dados hídrico-ambientais desagregados por sexo para identificar desigualdades e orientar políticas eficazes.
  • Reconhecer e valorizar o trabalho não remunerado relacionado à água nos processos de planejamento, precificação e decisões de investimento.
  • Fortalecer a liderança e a capacidade técnica das mulheres, especialmente em áreas científicas e técnicas da governança hídrica.
FONTE/CRÉDITOS: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR