Últimas Notícias 24 Horas: Fique por Dentro dos Acontecimentos em Tempo Real

Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 10 de Abril 2026

Economia

Superávit da balança comercial em março é o menor registrado desde 2020

Desempenho foi afetado pela retração nos embarques de café e pelo aumento expressivo na entrada de automóveis estrangeiros

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Superávit da balança comercial em março é o menor registrado desde 2020
© 26.07.2020/Tânia Rêgo/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou nesta terça-feira (7) que o saldo comercial brasileiro atingiu seu patamar mais baixo para meses de março em um intervalo de quatro anos. No último mês, as vendas externas superaram as compras em US$ 6,405 bilhões, sofrendo o impacto direto da queda nas exportações de café e da maior demanda por veículos importados.

O número aponta um recuo de 17,2% na comparação com março de 2025, período em que o saldo positivo foi de US$ 7,736 bilhões. Trata-se do pior resultado para este mês específico desde o início da crise sanitária em 2020, quando o superávit somou US$ 4,046 bilhões.

Confira abaixo os valores detalhados de exportação e importação:

Publicidade

Leia Também:

  • Exportações: US$ 31,603 bilhões, representando um avanço de 10% frente a março do ano anterior;
  • Importações: US$ 25,199 bilhões, com uma elevação de 20,1% na mesma base comparativa.

O montante exportado foi o segundo maior da série histórica para o mês, ficando atrás apenas do recorde de 2023. Já as importações atingiram o nível mais alto já registrado desde o começo do levantamento, em 1989. Acompanhe as atualizações da Agência Brasil pelo WhatsApp.

Setores

Na análise por segmentos da economia, as exportações de março apresentaram o seguinte comportamento:

  • Agropecuária: crescimento de 1,1%, com redução de 2% no volume embarcado e valorização de 3% no preço médio;
  • Indústria extrativa: salto de 36,4%, puxado pelo setor petrolífero, com aumento idêntico no volume e estabilidade nos preços (+0,2%);
  • Indústria de transformação: alta de 5,4%, com ganho de 4,2% em volume e 1% no valor médio.

Produtos

Os itens que mais impulsionaram as vendas externas no mês passado foram:

  • Agropecuária: animais vivos (+49,4%), algodão em bruto (+33,6%) e soja (+4,3%);
  • Indústria extrativa: minerais brutos diversos (+55,9%), concentrados de metais de base (+66,8%) e óleos brutos de petróleo (+70,4%);
  • Indústria de transformação: carne bovina resfriada ou congelada (+29%), combustíveis (+30%) e ouro não monetário (+92,7%).

Apesar do saldo positivo no campo, as remessas de café tiveram uma queda acentuada. O Brasil registrou um faturamento US$ 437,1 milhões menor que em março de 2025, uma retração de 30,5%. O recuo foi motivado por uma diminuição de 31% no volume exportado, reflexo de ajustes nos cronogramas de logística.

Quanto ao petróleo bruto, o incremento nas exportações chegou a US$ 1,971 bilhão em relação ao mesmo período do ano passado. Historicamente, esse setor apresenta oscilações bruscas devido às manutenções planejadas em unidades de extração.

Entretanto, há uma projeção de queda para os próximos meses em função da alíquota provisória de 12% do Imposto de Exportação sobre o óleo, medida adotada em meados de março para mitigar a alta interna dos preços dos combustíveis após o início de conflitos no Oriente Médio.

Importações

O avanço das importações está fortemente ligado ao setor automotivo, cujas compras externas cresceram US$ 755,7 milhões comparadas a março de 2025. Os destaques por categoria incluem:

  • Agropecuária: pescados (+28,9%), frutas e nozes (+26,6%) e soja (+782%);
  • Indústria extrativa: minérios metálicos (+33,7%), carvão (+59,9%) e petróleo bruto (+19,4%);
  • Indústria de transformação: medicamentos para uso humano e veterinário (+72,2%), adubos químicos (+61%) e automóveis de passageiros (+204,2%).

Acumulado

No primeiro trimestre do ano, a balança comercial acumula um superávit de US$ 14,175 bilhões, valor 47,6% superior ao de 2025. Esse crescimento expressivo é explicado pela importação de uma plataforma de petróleo ocorrida em fevereiro do ano passado, operação que não se repetiu em 2026.

A estrutura do saldo trimestral ficou assim definida:

  • Exportações: US$ 82,338 bilhões, alta de 7,1% ante o ano anterior;
  • Importações: US$ 68,163 bilhões, com leve subida de 1,3%.

O saldo acumulado até agora é o terceiro melhor da história, superado apenas pelos primeiros trimestres de 2024 e 2023.

Projeções

O Mdic revisou suas metas para o fechamento de 2026, estimando agora um superávit de US$ 72,1 bilhões, o que representaria uma alta de 5,9% sobre os US$ 68,1 bilhões de 2025. A previsão anterior, feita em janeiro, era mais conservadora.

Segundo a pasta, as exportações devem encerrar o ciclo anual em US$ 364,2 bilhões (+4,6%), enquanto as importações devem somar US$ 280,2 bilhões (+4,2%).

Essas estimativas oficiais são atualizadas a cada três meses, com novos dados detalhados previstos para julho. O recorde histórico de saldo positivo anual ocorreu em 2023, com US$ 98,9 bilhões. Atualmente, os números do governo são mais otimistas que os do mercado financeiro, que projeta, via boletim Focus do Banco Central, um superávit de US$ 70 bilhões para este ano.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR