A pesquisadora Tatiana Sampaio, que lidera os estudos sobre a polilaminina, uma substância experimental com potencial para tratar lesões medulares, será homenageada com o título de Benemérita do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa, apresentada pelo presidente em exercício da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Guilherme Delaroli (PL), foi aprovada pelo plenário da casa nesta quinta-feira (5/3).
Delaroli enalteceu a dedicação de Tatiana e sua equipe, ressaltando que a pesquisa oferece esperança a pacientes com lesões graves, como paraplegia e tetraplegia, que antes eram considerados casos sem possibilidade de recuperação. Agora, há a perspectiva de retorno de movimentos, sensibilidade corporal e a chance de uma vida mais autônoma.
Galeria de fotos
Tatiana Coelho de Sampaio, professora e líder do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas. Foto: FAPERJ
Tatiana Sampaio, bióloga, pesquisadora e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Reprodução: TV Cultura
Tatiana Sampaio, à frente do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ e responsável pela polilaminina, medicamento experimental com potencial regenerativo para lesões medulares. Foto: Ana Branco/O Globo
Governador Renato Casagrande (PSB) e Dra. Tatiana Sampaio. Foto: Hélio Filho/Secom Governo do Estado do Espírito Santo
Bruno Freitas e a cientista Tatiana Coelho de Sampaio. Reprodução: Instagram/Bruno Freitas
“Há indivíduos que transformam o mundo discretamente, dedicando décadas a uma missão que a medicina convencional julgava impossível. A bióloga, professora, pesquisadora e cientista do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana Sampaio, é uma dessas pessoas notáveis. Por mais de 25 anos, ela enxergou um recomeço onde muitos viam apenas o fim”, declarou o parlamentar.
Deputadas apoiam a proposta de Delaroli
As parlamentares presentes na sessão manifestaram apoio à iniciativa de Guilherme Delaroli em homenagear Tatiana Sampaio. Vale destacar que, sob a liderança do presidente, a Alerj tem promovido diversas ações em celebração ao Dia Internacional da Mulher.
“Parabenizo o presidente Delaroli por esta homenagem, meu voto é favorável. Demonstramos a capacidade de superação feminina e o imenso potencial na área científica”, comentou a deputada Tia Ju (Republicanos).
“Sinto-me muito feliz e honrada por ter vindo da mesma universidade que ela. Ontem, aprovamos a indicação do nome de Tatiana Sampaio para ser homenageada também pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher”, acrescentou Renata Souza (PSOL).
Elika Takimoto (PT) ressaltou: “Estamos conseguindo alcançar esses espaços de poder, e gostaria de parabenizar este projeto mais uma vez”.
“Resultados representam um marco histórico”
Para o presidente em exercício da Alerj, os resultados já observados em pacientes que recuperaram movimentos e sensibilidade constituem um marco histórico. Delaroli enfatizou que Tatiana Sampaio não apenas desenvolveu uma molécula, mas também restaurou a dignidade, a independência e a esperança de pacientes que haviam perdido a mobilidade.
“A Dra. Tatiana é a prova de que a ciência brasileira, quando recebe financiamento e valorização, entrega resultados de excelência. Sua trajetória, que une rigor científico à paixão pela vida, nos lembra que o conhecimento é a principal ferramenta de transformação social e de saúde. Este título é uma forma de reconhecer a persistência de uma cientista que, mesmo longe dos holofotes e superando desafios, manteve sua pesquisa de ponta em uma universidade pública brasileira”, exaltou o deputado.
Sobre a pesquisadora
Tatiana Lobo Coelho de Sampaio é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1995, onde coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas. A cientista possui graduação, mestrado em Biofísica e doutorado em Ciências pela UFRJ, além de pós-doutorado em instituições nos Estados Unidos (Universidade de Illinois) e na Alemanha.
Com mais de 25 anos dedicados ao estudo da regeneração do sistema nervoso, focando em como proteínas podem influenciar o comportamento celular para restaurar conexões nervosas, uma descoberta promissora para o tratamento de lesões medulares é a polilaminina. Desenvolvida sob a liderança de Tatiana, trata-se de uma molécula derivada da laminina, uma proteína natural do organismo.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa autorizou o início da Fase 1 de testes clínicos em humanos para avaliar a segurança da polilaminina. Apesar do grande otimismo gerado pelo trabalho, a própria Tatiana e outros especialistas alertam que a substância ainda é experimental e não deve ser considerada uma “cura garantida” até a conclusão de todas as fases de testes em humanos.