O Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo, 8 de março de 2026, mais uma vez destaca a urgência de abordar os desafios sociais enfrentados pelas mulheres no Brasil, que ainda demandam ações de combate eficazes e duradouras.
Conforme o novo boletim "Elas Vivem: a urgência da vida", divulgado na sexta-feira (6), pelo menos 12 mulheres foram vítimas de alguma forma de violência diariamente ao longo de 2025.
Conduzido pela Rede de Observatórios de Segurança, o levantamento abrangeu nove estados brasileiros – Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo – registrando um total de 4.558 casos. Este número representa um aumento de 9% em relação a 2024, quando 4.181 ocorrências foram contabilizadas.
Feminicídio e violência sexual lideram estatísticas
Além dos mais de 4 mil incidentes individuais, a pesquisa identificou casos em que uma mesma vítima sofreu múltiplos tipos de violência, elevando o total de ocorrências para 5.358.
As categorias de tentativa de feminicídio ou agressão física, com 1.798 episódios (34%), e violência sexual ou estupro, com 961 situações (18%), foram as mais prevalentes nos nove estados analisados, somando cerca de 52% do total.
(Fonte: Rede de Observatórios da Segurança)
As "qualificadoras", termo utilizado pelo estudo para designar as múltiplas formas de violência sofridas por uma mesma pessoa, foram mais frequentes no Amazonas, com 1.397 registros (26%), seguido por São Paulo, com 1.144 (21%), e Pará, com 757 (14%).
No Amazonas, um dado alarmante aponta 353 casos de violência sexual, representando quase 37% do total. Desses, aproximadamente 78% foram direcionados a menores, incluindo crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Registros por estado
Dos 4.558 eventos registrados em 2025 nas nove unidades federativas, São Paulo, embora tenha apresentado uma redução de 11% (de 1.177 para 1.065 casos) em relação a 2024, ainda se mantém como o estado com o maior número de ocorrências.
Em contrapartida, o Amazonas vivenciou um aumento expressivo de 69% nos casos, saltando de 604 para 1.023, e alcançando a segunda colocação em número de registros. O Pará, em terceiro lugar, também apresentou um cenário preocupante, com 683 incidentes e um crescimento de 76%.
(Fonte: Rede de Observatórios da Segurança)
Quem são os agressores?
A pesquisa também divide os registros com base no perfil dos agressores, revelando que a maior parte do perigo para as mulheres se manifesta em suas relações mais próximas. Cerca de 56,1% das violências são cometidas por parceiros, ex-parceiros, pais, filhos e familiares em geral.
O grupo de conhecidos, incluindo amigos e vizinhos, é responsável por outros 26,6% dos casos, demonstrando a recorrência de violência em contextos sociais e cotidianos.
Os 17,3% restantes são atribuídos a figuras de autoridade ou em posições hierárquicas, como agentes do Estado, professores, funcionários públicos, colegas de trabalho, líderes religiosos e superiores no ambiente profissional.
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