O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso direto às mídias com o conteúdo completo do celular de Vorcaro. As informações foram apreendidas pela Polícia Federal durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e corrupção envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O requerimento formulado por Zanin ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes pedir a derrubada total do sigilo sobre as investigações. Moraes criticou a postura do relator do processo, ministro André Mendonça, apontando uma suposta seletividade subjetiva na divulgação de trechos do apuratório realizada na noite de quinta-feira (9).
Segundo Zanin, o acesso integral aos arquivos extraídos do aparelho é essencial, pois o material está diretamente ligado ao julgamento pautado para a próxima terça-feira (15). Na ocasião, o plenário do STF deve avaliar um relatório da Polícia Federal que menciona supostas conexões entre Vorcaro e Moraes.
A sessão plenária foi convocada por Fachin para analisar um recurso do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O chefe da PGR solicita a anulação do relatório referente a Moraes, sustentando que Mendonça não possuía competência regimental para autorizar apurações contra outro integrante do tribunal.
Até o momento, a Suprema Corte não detalhou o rito procedimental da apreciação. A Constituição Federal e o Regimento Interno do STF estabelecem que cabe ao plenário julgar seus magistrados, mas não fixam regras pormenorizadas sobre o formato da condução do julgamento.
Diante dessa lacuna normativa, ainda não se definiu se a sessão será pública ou fechada ao público, tampouco se haverá a participação direta do ministro Alexandre de Moraes nos debates.
Entenda a origem do impasse no STF
O cenário de tensão no tribunal se intensificou após André Mendonça retirar o segredo de justiça de 15 procedimentos ligados ao Banco Master. A decisão manteve sob sigilo apenas diligências em andamento que pudessem ser prejudicadas com a publicidade dos atos.
Com a liberação dos autos, as informações tornaram-se acessíveis a todos os ministros e à opinião pública. A medida ocorreu após a divulgação de supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, desencadeando uma crise interna na Corte.