A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão de um indivíduo de nacionalidade chilena, acusado de cometer injúria racial e homofóbica contra membros da tripulação durante um voo internacional. A aeronave partiu de Guarulhos (SP) com destino a Frankfurt, na Alemanha, no dia 10 de maio, e a detenção ocorreu na última sexta-feira, dia 15.
Conforme comunicado oficial da corporação, o passageiro tentou abrir uma das portas da aeronave em pleno voo. Ao ser contido pelos tripulantes, ele direcionou a eles uma série de insultos de natureza racial e homofóbica.
"Após as vítimas formalizarem a denúncia à Polícia Federal, um inquérito foi instaurado, culminando na decretação da prisão preventiva do suspeito pela Justiça Federal", detalhou a PF em sua nota.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou uma nota de veemente repúdio ao incidente, classificando a ação do passageiro do voo LA8070, da Latam, como "conduta violenta, racista, homofóbica e totalmente incompatível com os preceitos de civilidade e respeito".
No mesmo comunicado, a agência reguladora esclareceu que só foi informada sobre o episódio no domingo, dia 17, e expressou sua solidariedade tanto aos demais passageiros quanto, principalmente, aos tripulantes afetados.
A Anac reiterou que "atitudes discriminatórias e agressivas contra a tripulação são inadmissíveis, sobretudo em um ambiente operacional onde a segurança, o respeito mútuo e a integridade física e emocional de todos a bordo devem ser preservados de forma irrestrita".
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No documento, a Anac salientou que monitorará a investigação dos acontecimentos e que, dentro de suas prerrogativas legais e regulatórias, implementará as ações apropriadas em colaboração com a companhia aérea e outras autoridades. "A conduta do passageiro será rigorosamente avaliada conforme as normas da aviação civil", afirmou a agência.
Regulamentação mais rigorosa
O texto da Anac também enfatiza que, a partir de 14 de setembro, o Brasil adotará normas mais severas para passageiros com comportamento inadequado. Casos semelhantes ao envolvendo o cidadão chileno poderão ser classificados como infração gravíssima, sujeitos a uma multa de R$ 17,5 mil e à inclusão do infrator em uma lista que o impedirá de embarcar em futuros voos.
Registro em vídeo
Um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais mostra o passageiro chileno dirigindo insultos a um funcionário da companhia aérea, enquanto outros tripulantes tentam persuadi-lo a retornar ao seu assento. Mesmo após ser avisado de que seria obrigado a desembarcar caso não cessasse as ofensas e se sentasse, ele persistiu com as injúrias.
No registro, o passageiro expressa ter aversão a indivíduos homossexuais e negros. Ele também faz comentários depreciativos sobre o "odor" de pessoas negras e brasileiras, ignorando as repetidas solicitações da tripulação para que se acomodasse. Ao término da gravação, o homem profere o termo "macaco" a um dos funcionários e imita sons característicos do animal.