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Sábado, 16 de Maio 2026
Direitos Humanos

Cordão da Mentira realiza manifestação na Paulista em memória dos Crimes de Maio

A mobilização, que cobrou justiça pelos Crimes de Maio, também acolheu palestinos em protesto contra a Nakba, a Catástrofe Palestina que marca 78 anos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Cordão da Mentira realiza manifestação na Paulista em memória dos Crimes de Maio
© Elaine Cruz/Agência Brasil
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Neste sábado (16), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma manifestação que marcou os 20 anos dos eventos conhecidos como Crimes de Maio. Essa sequência de ataques, atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC), desencadeou uma forte resposta policial, culminando na morte de mais de 500 pessoas em todo o estado. Muitos desses óbitos apresentaram evidências de execuções promovidas por agentes da polícia.

Acompanhado por intenso batuque e melodias, o evento foi organizado pelo Movimento Mães de Maio em conjunto com o Cordão da Mentira. Este último, um bloco carnavalesco fundado em 2012, utiliza a sátira e a denúncia como ferramentas para confrontar as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura civil-militar.

Além de clamar por justiça e expor a impunidade dos Crimes de Maio, a manifestação integrou a presença de diversos palestinos, que se manifestaram contra a Catástrofe Palestina, ou Nakba, que completou 78 anos. A Nakba simboliza o êxodo forçado de palestinos durante o estabelecimento do Estado de Israel.

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O Cordão da Mentira habitualmente desfila em 1º de abril, a data que marca o Dia da Mentira e o golpe de 1964. Contudo, para sublinhar os 20 anos dos Crimes de Maio, que ainda carecem de responsabilização, o grupo optou por realizar uma saída adicional este ano.

Conforme comunicado divulgado nas redes sociais, "Nosso cortejo representa denúncia, memória ativa e um clamor coletivo contra o esquecimento e a injustiça. Pois recordar é confrontar, ocupar os espaços públicos e desmascarar a falsidade."

Thiago Mendonça, diretor de cinema e um dos coordenadores do Cordão da Mentira, explicou a origem do grupo: "O Cordão da Mentira é um bloco de carnaval que se manifesta todo 1º de abril, Dia da Mentira e aniversário do golpe de 1964, para abordar a violência estatal, tanto histórica quanto atual. Sua formação se deu em rodas de samba, quando sambistas notaram a presença de indivíduos envolvidos na repressão em seus próprios ambientes."

Desde sua fundação, o Cordão da Mentira sempre teve a participação do Movimento Mães de Maio, uma organização criada por mães de vítimas dos Crimes de Maio.

Mendonça enfatizou a relevância do movimento: "Elas são as madrinhas do Cordão e lideram a manifestação, sempre à frente. Para nós, este é um dos mais cruciais movimentos de direitos humanos do Brasil."

Neste ano, o Cordão da Mentira e as Mães de Maio optaram por integrar a manifestação à causa palestina.

A decisão de unificar, segundo Mendonça, deve-se à percepção de que "a estrutura repressiva de Israel encontra eco na máquina de violência que caracteriza a polícia brasileira."

Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio, presente na mobilização, destacou a significância do evento.

Débora afirmou: "O Cordão da Mentira representa a essência do Movimento Mães de Maio. É por meio dele que encontramos a energia para prosseguir na luta ao longo do ano. O Cordão nos acolhe, expõe as injustiças que denunciamos e nos faz recordar que a ditadura ainda não cessou."

Assim como outras mães presentes, Débora é mãe de uma vítima da violência estatal; seu filho, Edson Rogério Silva, foi assassinado pela polícia durante os Crimes de Maio.

Ela também enfatizou: "Estamos aqui pela causa palestina, pois a violência que atinge lá também nos alcança. A bala que ceifa vidas lá também ceifa aqui, em nossas periferias."

Os Crimes de Maio

Um relatório intitulado "Análise dos Impactos dos Ataques do PCC em São Paulo em maio de 2006", divulgado pelo Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, indicou que, no mínimo, 564 indivíduos perderam a vida durante as sucessivas ondas de ataques dos Crimes de Maio.

O mesmo documento revelou que, entre os mortos, 505 eram civis e 59 eram agentes públicos, majoritariamente pessoas negras, jovens e de baixa renda. Além disso, o estudo aponta indícios de envolvimento policial em ao menos 122 dessas execuções.

Mendonça destacou a natureza emblemática dos Crimes de Maio: "Eles são extremamente simbólicos, primeiramente pela magnitude do ocorrido. Mais de 500 jovens foram assassinados em apenas duas semanas, configurando um dos maiores massacres urbanos da história nacional. Adicionalmente, neste ano, contamos com a presença de mais de 60 mães de vítimas da violência de todo o Brasil no Cordão. Acreditamos que esta é uma pauta fundamental para debatermos o futuro que almejamos para o país."

A manifestação teve seu ponto de partida no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e prosseguiu em marcha até o Al Janiah, um restaurante e centro cultural palestino localizado no bairro do Bixiga, na área central da capital paulista.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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