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Quarta-feira, 06 de Maio 2026
Educação

Combate à violência é um desafio para mais de 70% dos gestores escolares

Estudo em 105 escolas públicas revela que profissionais enfrentam dificuldades em temas como racismo e bullying.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Combate à violência é um desafio para mais de 70% dos gestores escolares
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Mais de sete de cada dez administradores de escolas públicas (71,7%) confessam ter obstáculos para abordar, no contexto educacional, a prevenção e o combate a diversas formas de violência, incluindo bullying, racismo e capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência).

Esta questão representa a principal barreira identificada por um levantamento focado no clima escolar, que entrevistou 136 dirigentes de 105 instituições de ensino da rede pública, das quais 59 são municipais e 46 estaduais.

O estudo, cujos resultados foram apresentados na última quarta-feira (6), é fruto de uma colaboração entre a Fundação Carlos Chagas (FCC), uma entidade sem fins lucrativos, e o Ministério da Educação (MEC).

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A finalidade da pesquisa é angariar dados que servirão de base para o vindouro Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, um projeto do governo federal com lançamento previsto para esta quinta-feira (7) no canal oficial do MEC no YouTube.

Ambiente contra violência

Adriano Moro, pesquisador do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC e coordenador do levantamento, avalia que gerenciar cenários de violência é uma tarefa intrincada, demandando capacitação, suporte e estratégias cuidadosamente elaboradas.

Entre os obstáculos específicos, ele aponta a normalização de atos violentos.

“Por vezes, os adultos no ambiente escolar interpretam agressões como meras ‘brincadeiras’. Essa percepção minimiza a seriedade dos incidentes e pode resultar em inação, precisamente no momento em que os alunos mais necessitam de amparo e intervenção”, afirmou em declaração à Agência Brasil.

Moro ainda contextualiza que muitas instituições de ensino operam em ambientes já afetados pela violência “externa”. Adicionalmente, ele acrescenta, “existem entraves para engajar as famílias e a comunidade, o que intensifica a responsabilidade da escola em enfrentar essas questões isoladamente”.

Bullying

Adriano Moro também menciona que a utilização indiscriminada do termo bullying constitui outra complicação.

“Trata-se de um fenômeno com características próprias, uma forma de violência séria que exige cuidado. No entanto, quando não é devidamente identificada, a agressão sofrida pode mascarar questões específicas, como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero.”

Originário da língua inglesa, o bullying descreve uma modalidade de agressão física ou psicológica, frequentemente reiterada, que provoca prejuízos físicos, sociais e emocionais ao aluno que a sofre. Um ou mais perpetradores empregam ofensas, alcunhas depreciativas e outras táticas de intimidação, vexame, agressão ou discriminação.

Na visão do porta-voz da FCC, um ambiente escolar construtivo é crucial para combater a violência, pois estabelece as bases para que a escola transcenda a atuação meramente reativa e adote uma postura mais profilática, deliberada e cooperativa.

“Quando prevalecem a confiança, o respeito e a capacidade de escuta entre alunos e adultos, torna-se mais simples detectar problemas, classificar adequadamente as violências e proceder com maior responsabilidade e equidade”, ressaltou.

Mais constatações

Com o intuito de compreender a gestão do ambiente entre estudantes, educadores e familiares, o estudo revelou que:

  • 67,9% dos administradores ouvidos indicam dificuldades em estreitar laços entre a escola, as famílias e a comunidade;
  • 64,1% apontam obstáculos na formação de relações harmoniosas entre os próprios alunos;
  • 60,3% citam entraves para fomentar o senso de pertencimento dos estudantes;
  • 60,3% admitem barreiras na interação entre alunos e professores;
  • 49% assinalam dificuldades relacionadas à promoção da sensação de segurança entre os discentes.

Os responsáveis pela pesquisa buscaram entender como as instituições de ensino se estruturam para alcançar um clima escolar favorável.

O inquérito aponta que mais da metade das escolas (54,8%) jamais efetuou um diagnóstico formal do seu ambiente escolar.

Segundo os idealizadores do estudo, o diagnóstico é uma “fase crucial para direcionar políticas de coexistência e ensino-aprendizagem”.

Adicionalmente, constatou-se que mais de dois terços (67,6%) das escolas contam com uma equipe dedicada a iniciativas para aprimorar o clima educacional.

Nas restantes 32,4% que não dispõem de tal grupo, as atividades recaem diretamente sobre a administração escolar.

Adriano Moro sublinha que diversos colégios enfrentam uma sobrecarga de trabalho em seus quadros profissionais.

“A administração escolar frequentemente se depara com múltiplas demandas urgentes simultaneamente”, observa. Consequentemente, as equipes dedicam-se mais à solução de questões imediatas do que à prevenção planejada de problemas.

Clima e aprendizagem

O pesquisador descreve como “extremamente sólida” a conexão entre um ambiente escolar construtivo e o rendimento pedagógico.

De acordo com ele, a atmosfera nas instituições de ensino impacta diretamente tanto o bem-estar dos indivíduos quanto o processo de docência e aquisição de conhecimento.

“Para que o aprendizado se desenvolva com excelência e igualdade, é imprescindível que os alunos se sintam bem-vindos e amparados”, afirma.

“Quando os discentes percebem que são respeitados e não temem cometer erros, eles assimilam o conteúdo de forma mais eficaz e aprimoram suas aptidões com maior autoconfiança”, defende.

Grupo de trabalho

O levantamento da FCC coletou dados em escolas de dez estados brasileiros – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo – entre os meses de março e julho de 2025.

A divulgação do estudo da FCC e do MEC ocorre na mesma semana em que o governo federal restabeleceu um grupo de trabalho (GT) com a missão de apoiar a criação de políticas para combater o bullying e o preconceito no setor educacional.

Composto por setores técnicos do MEC, o GT possui um prazo inicial de 120 dias para entregar um relatório contendo as análises e as sugestões formuladas.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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