Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 25 de Junho 2026
Carregando jogos...
Política

Debatedores defendem o fortalecimento das ouvidorias externas nas defensorias públicas para o controle social

Em audiência na Câmara, especialistas destacam a carência de orçamento e estrutura para a efetiva atuação desses órgãos de controle social

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Debatedores defendem o fortalecimento das ouvidorias externas nas defensorias públicas para o controle social
Kayo Magalhães/Câmara dos deputados
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Em uma recente audiência promovida pela Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, especialistas e debatedores enfatizaram a urgência de fortalecer as ouvidorias externas que atuam junto às defensorias públicas brasileiras. O consenso é que o reforço desses órgãos é fundamental para assegurar o pleno exercício do controle social, apesar dos desafios orçamentários e estruturais enfrentados atualmente.

Tais ouvidorias desempenham um papel crucial como mecanismos de transparência e participação cidadã, promovendo o controle social sobre as ações das defensorias. É importante ressaltar que os ouvidores externos são selecionados a partir de uma lista tríplice, com a ativa participação de entidades da sociedade civil, e não integram a carreira institucional da Defensoria Pública.

As defensorias públicas, estabelecidas pela Constituição de 1988, são entidades estatais incumbidas de prover assistência jurídica integral e gratuita àqueles que não dispõem de meios financeiros para custear um advogado. Sua atuação abrange a defesa de direitos individuais e coletivos, além da promoção dos direitos humanos.

Publicidade

Leia Também:

Maria Aparecida Lucca Caovilla, presidente do Conselho Nacional de Ouvidorias Externas das Defensorias Públicas do Brasil, salientou a paradoxal situação: apesar da relevância intrínseca dessas ouvidorias, elas carecem de autonomia orçamentária, instalações próprias e recursos humanos adequados.

Ela explicou que "o Brasil adota um modelo de ouvidorias gerais externas onde os representantes são selecionados a partir de uma lista tríplice, formada por movimentos sociais e lideranças comunitárias ativistas em direitos humanos. Eles vêm para as ouvidorias para representar a sociedade e o povo em situação de vulnerabilidade social."

Caovilla também apontou uma "grande disparidade na atuação das ouvidorias estaduais. Embora cada uma exerça suas funções, a falta de estrutura adequada impede a garantia da efetividade desejada."

Cenário atual das ouvidorias externas

Atualmente, o Brasil conta com 20 ouvidorias externas em operação, abrangendo as defensorias públicas de 18 estados, o Distrito Federal e a União.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), proponente do debate, reforçou que a presença de uma ouvidoria externa na Defensoria Pública constitui uma modalidade essencial de controle social. Ela ressaltou que "é o único órgão do sistema judicial que possui controle externo, cujos membros não são da carreira, evitando o elemento corporativo, o que é de suma importância."

Luciana Grando Bregolin Dytz, presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais, expressou sua convicção de que a Justiça permanecerá elitista enquanto não houver ouvidorias disseminadas por todo o sistema.

Os estados que ainda não implementaram ouvidorias externas em suas defensorias públicas são Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. Contudo, a Defensoria Pública da União já dispõe de uma Ouvidoria-Geral, composta por membros da sociedade civil.

Desafios na cobertura de defensores públicos

Luciana Dytz também recordou que a Emenda Constitucional 80 determina que União, estados e Distrito Federal assegurem a presença de defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais, em proporção à demanda e à população. No entanto, essa prerrogativa constitucional ainda não se concretizou plenamente. A Defensoria Pública da União, por exemplo, atende a apenas 78 das 276 subseções judiciárias federais.

Apoio a projeto de lei para autonomia financeira

Por sua vez, Maria Aparecida Lucca Caovilla expressou seu apoio a um projeto de lei atualmente em tramitação no Senado (PLP 138/26). A proposta visa modificar a Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo que até 2% da receita corrente líquida das unidades federativas seja direcionada ao orçamento das defensorias públicas, garantindo-lhes assim maior autonomia financeira.

Este projeto também tem como objetivo principal evitar cortes orçamentários severos que impactam o sistema de assistência jurídica gratuita. Para avançar, a proposta necessita primeiramente da aprovação dos senadores, antes de seguir para análise e deliberação na Câmara dos Deputados.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR