Brasília — 08/05/2025
O escândalo envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS ganha novos desdobramentos. O governo federal anunciou que irá ressarcir os beneficiários prejudicados, mas ainda não há prazo definido para os pagamentos.
A Controladoria-Geral da União (CGU) estima que, entre 2019 e 2024, foram retirados R$ 6,3 bilhões indevidamente de mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas. A maioria dos descontos foi realizada por associações e sindicatos sem autorização dos beneficiários.
O ministro da CGU, Vinicius de Carvalho, afirmou que os valores serão devolvidos, mas alertou que o processo exige um cruzamento rigoroso de dados para identificar:
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Quais descontos foram legítimos;
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Quais foram indevidos;
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Qual a origem dos recursos para realizar os reembolsos.
“Estamos apurando com firmeza. Vamos identificar e garantir a devolução aos aposentados, mas precisamos seguir critérios técnicos”, disse o ministro.
🔍 Como será feito o ressarcimento?
Segundo a CGU e o Ministério da Previdência, a proposta em estudo inclui:
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Devolução parcelada ou em lote único, dependendo do valor;
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Criação de um canal exclusivo de consulta para os segurados acompanharem o processo;
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Revisão imediata dos contratos entre INSS e entidades privadas;
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Responsabilização civil e penal das associações envolvidas.
A Advocacia-Geral da União (AGU) já pediu o bloqueio de bens de 12 entidades investigadas para garantir os recursos necessários ao reembolso.
🧨 Repercussão política e afastamentos
O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo após suspeitas de omissão. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão pressionado por denúncias de que teria ignorado alertas internos sobre as irregularidades.
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição e da base do governo articulam a criação de uma CPI da Previdência para aprofundar as investigações.