Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 18 de Maio 2026
Justiça

Gilmar Mendes contesta legalidade de indiciamento de ministros do STF por CPI

Documento da comissão, com 221 páginas, propõe a responsabilização de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Paulo Gonet, aguardando votação.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Gilmar Mendes contesta legalidade de indiciamento de ministros do STF por CPI
© Antônio Augusto/STF
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Nesta terça-feira (14), o ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a inexistência de fundamento jurídico para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado proceda com o indiciamento de magistrados da Suprema Corte por delitos de responsabilidade.

No parecer conclusivo da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sugeriu o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As acusações referem-se a crimes de responsabilidade, incluindo “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa” e “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

A fundamentação para as propostas de indiciamento dessas autoridades reside no caso do Banco Master, processo em andamento no Supremo Tribunal Federal.

Publicidade

Leia Também:

O extenso relatório da CPI, com 221 páginas, aguarda aprovação pela própria comissão, em sessão agendada para esta terça-feira. Acompanhe o canal da Agência Brasil no WhatsApp.

Críticas contundentes

Após a divulgação do documento, Gilmar Mendes manifestou-se na plataforma X, expressando severas críticas ao teor do relatório e à condução dos trabalhos da CPI.

“A solicitação do relator da CPI do Crime Organizado, que visa ao indiciamento de ministros do STF sem amparo legal, nos impulsiona a uma profunda reflexão acerca da função e das prerrogativas das Comissões Parlamentares de Inquérito”, declarou o ministro.

Na visão do magistrado, o relatório “beira a arbitrariedade” ao tentar criminalizar a concessão de habeas corpus em situações de abuso de autoridade.

Gilmar Mendes enfatizou que é “elementar, até mesmo para um acadêmico de Direito, que o ato de indiciar é uma prerrogativa exclusiva de um delegado de polícia e não se aplica a crimes de responsabilidade”.

Conforme o ministro, esses delitos são disciplinados por legislação específica, a Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950), que confere exclusivamente à Mesa Diretora do Senado, à Comissão Especial e ao Plenário da Casa as competências para processar crimes de responsabilidade, “sem, contudo, prever a participação de CPIs nesse processo”.

Alegação de "cortina de fumaça"

O decano do Supremo, Gilmar Mendes, considera que o relatório final da CPI configura uma “cortina de fumaça”, desviando-se do propósito inicial da comissão, que era investigar a atuação de agentes policiais que se aliaram a “milícias e grupos criminosos”.

“O documento final da CPI, ao negligenciar o problema central a que se destinava e, em vez disso, focar em alimentar a controvérsia midiática contra o STF, evidencia uma autêntica cortina de fumaça, visando a obtenção de ganhos políticos para determinados agentes”, pontuou Gilmar Mendes.

A defesa de Flávio Dino

O ministro Flávio Dino, do Supremo, que não foi alvo de indiciamento pela CPI do Crime Organizado, também se manifestou em defesa da Corte e de seus membros.

Dino classificou como um “erro crasso” a tentativa de posicionar o Supremo Tribunal Federal como a “principal questão nacional a ser enfrentada”.

O ministro destacou que o parecer conclusivo da CPI não faz menção a indivíduos efetivamente vinculados ao crime organizado, enquanto o STF, por sua vez, adota continuamente medidas de combate a essa problemática.

“É uma atitude irresponsável investigar o crime organizado e ignorar temas como milicianos, narcotraficantes, comerciantes de armas ilícitas, garimpos clandestinos, facções que dominam regiões, assassinos e pistoleiros, entre outros”, publicou Dino em suas redes sociais.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR