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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Direitos Humanos

Governo lança campanha por visibilidade e defesa dos direitos LGBTQIA+

Iniciativa federal foi apresentada na 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ em São Paulo.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Governo lança campanha por visibilidade e defesa dos direitos LGBTQIA+
© Elaine Cruz/Agência Brasil
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Nesta quinta-feira (4), o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, representando o governo federal, lançou oficialmente em São Paulo a nova campanha intitulada “O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas”. A iniciativa visa aprimorar a visibilidade e garantir a defesa dos direitos LGBTQIA+, além de dar transparência às ações e políticas públicas destinadas a essa população, especialmente em situações de vulnerabilidade. O lançamento ocorreu durante a 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+.

A apresentação oficial da campanha aconteceu no contexto da 25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, um evento tradicionalmente promovido pela Parada do Orgulho LGBT+ e organizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Desde o ano de 2023, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania reporta um investimento superior a R$ 61 milhões em iniciativas dedicadas à promoção e defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+ em território nacional.

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Esse montante, conforme a pasta, viabilizou o atendimento de mais de 330 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+ (Acolher+).

Complementarmente, a Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+ (Empodera+) contribuiu para a capacitação de mais de 5 mil indivíduos. Tais programas e iniciativas visam fomentar a autonomia econômica, a geração de renda e a expansão de oportunidades para esse público.

Symmy Larrat, secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, ressaltou que o montante investido representa o maior orçamento já destinado à área na história.

"Estamos aqui, no corpo a corpo, demonstrando à população o que foi possível realizar, mesmo diante do apagão e do desmonte que enfrentamos no governo anterior", declarou a secretária.

Em entrevista à Agência Brasil, Larrat enfatizou que os recursos federais foram direcionados prioritariamente para iniciativas de empregabilidade, trabalho digno e acolhimento de pessoas LGBT+ em contextos de vulnerabilidade.

"Há também ações de bem-viver, pois nosso objetivo é alcançar os territórios mais diversos", explicou Larrat.

"Não queremos nos restringir apenas à população LGBT+ que migra forçadamente para grandes centros urbanos. Por isso, atuamos em territórios de fronteira e em aldeias indígenas, promovendo diálogo, acesso a direitos e o estabelecimento de redes protetivas", complementou.

A Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+

Realizada no Vale do Anhangabaú, centro da capital paulista, nesta quinta-feira (4), a Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ configura-se como um festival gratuito. O evento integra cultura, empreendedorismo e cidadania, congregando mais de 180 artistas e 100 expositores.

Heitor Werneck, coordenador artístico da feira, salientou que o espaço foi idealizado com o propósito de fortalecer pequenos negócios, criar oportunidades comerciais e dar maior visibilidade a empreendedores LGBTQIA+, estimulando assim a geração de renda e o desenvolvimento econômico da comunidade.

"Temos aqui um espaço para abordar a sexualidade. Além disso, somos o único evento no Brasil 100% inclusivo", destacou Werneck.

"Oferecemos espaço para pessoas LGBT+ cadeirantes, por exemplo. Eles estão aqui se apresentando, cantando ou simplesmente frequentando o local", acrescentou.

Entre os visitantes da tarde, estava Fabrício Florencio, um jovem paulistano de 23 anos. "Considero a feira de extrema importância, não apenas pelos eventos como a Parada, mas por ser um momento em que podemos encontrar pessoas semelhantes e que lutam pelo mesmo objetivo: o direito de existir", declarou Florencio à reportagem.

Ao longo do dia, a feira disponibilizou uma extensa programação cultural e formativa. Incluiu exibições de cinema, intervenções artísticas e rodas de conversa sobre temas cruciais para a comunidade LGBTQIA+ e a sociedade, como saúde mental, redução de danos, direitos humanos, combate à discriminação, inclusão social, diversidade e o fortalecimento de políticas públicas.

A programação também prestou homenagem a artistas e personalidades que foram fundamentais na construção da história da comunidade LGBTQIA+ no país. Isso reforça o papel da arte como poderoso instrumento de transformação social e resistência cultural.

O encerramento do evento foi marcado pela apresentação da cantora MC Trans. Reconhecida como uma voz significativa da representatividade trans no Brasil, a artista cedeu seu cachê, em virtude das dificuldades de patrocínio que a ParadaSP enfrenta neste ano.

Werneck revelou que tanto empresas quanto o Poder Público têm reduzido os orçamentos destinados às causas LGBT+. Essa diminuição gera desafios não só para a manutenção de eventos como a Feira da Diversidade e a ParadaSP, mas também para os projetos sociais e culturais que operam durante todo o ano.

"As políticas públicas para LGBT estão diminuindo. Realizamos um grande evento e precisamos implorar por apoio, seja da prefeitura ou de patrocinadores", desabafou Werneck à Agência Brasil.

"É crucial que as pessoas percebam que, mesmo sem patrocínio, a feira acontece. E isso é significativo, pois a ParadaSP ocupa 98% da rede hoteleira de São Paulo e emprega diretamente 1,8 mil pessoas", complementou.

A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo

A emblemática Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo está agendada para o próximo domingo (7), com percurso tradicional na Avenida Paulista.

Em 2024, o evento atinge a marca histórica de 30 anos de existência, levando às ruas o tema "30 anos da Parada SP: A rua convoca, a urna confirma". A iniciativa busca fomentar reflexões profundas sobre cidadania, democracia, direitos já conquistados e a importância da participação social.

"Sabemos da necessidade de nos manter organizados nas ruas. Foi esse processo de organização que resultou em conquistas, como a própria secretaria nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+", afirmou a secretária Symmy Larrat.

"Minha posição atual é fruto dessa luta, dessa jornada. Não podemos deixar de ir às ruas, mesmo diante da intensificação do discurso de ódio internacional contra nós. Permanecemos firmes para denunciar e vamos reverter essa situação", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
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