Em depoimento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, admitiu ter cometido traições em seus relacionamentos, qualificando-as como "escolhas insensatas". O ex-vereador, que está sendo julgado pela morte de seu ex-enteado Henry Borel, negou veementemente as acusações de agressão feitas por ex-companheiras durante o interrogatório que se seguiu ao longo depoimento de Monique Medeiros.
Seguindo orientação de sua defesa, Jairinho limitou suas respostas às perguntas formuladas por seus advogados, optando por não responder a questionamentos da acusação ou da juíza responsável pelo caso. Um momento de destaque no plenário ocorreu antes do início do depoimento, quando Luis Fernando Abidu, filho de Jairinho e membro de sua equipe de defesa, demonstrou apoio ao pai com um abraço.
Jairinho busca construir imagem familiar
Ao iniciar sua fala, o réu procurou apresentar-se como um homem dedicado à família, emocionando-se ao mencionar parentes próximos e destacar a relação com seu pai, o coronel Jairo. Jairinho também ressaltou ter sido um pai presente em sua trajetória pessoal e expressou arrependimento por ter seguido carreira política, afirmando que preferiria ter se dedicado à medicina.
“Se pudesse, teria deixado a carreira política de lado e me dedicado à medicina”, declarou.
Reconhecimento de "escolhas insensatas" e negação de violência
Durante seu interrogatório, Jairinho reconheceu ter cometido repetidas traições ao longo de seus relacionamentos. Contudo, ele refutou todas as alegações de agressão por parte de ex-companheiras, citando como exemplo seu relacionamento com a primeira esposa, Fernanda. O ex-vereador classificou as acusações como especulação, afirmando que nunca houve agressão ou desrespeito.
Ao comentar sobre relacionamentos anteriores, ele admitiu ter tido casos extraconjugais. “A gente faz escolhas insensatas e algumas dessas escolhas foram as traições”, disse. Jairinho argumentou que, apesar de ex-namoradas possuírem mensagens trocadas com ele, não há evidências de agressões contra elas ou seus filhos.
Contestação de violência doméstica
O ex-vereador também abordou um boletim de ocorrência registrado por Ana Carolina, mãe de seus dois filhos mais novos. Segundo sua versão, a discussão teria se iniciado após a então companheira descobrir conversas dele com outra mulher. Jairinho alegou que Ana Carolina iniciou as agressões durante uma briga em casa e que ele apenas tentou contê-la para evitar que sua sogra presenciasse o desentendimento.
Ele negou ter cometido agressões físicas, mesmo diante de relatos de enforcamento e violência no boletim de ocorrência. “Ana sabia que o problema era outro. Eram as traições”, declarou, mencionando que o casal permaneceu junto por mais seis anos após o episódio.
Críticas à condução das investigações
Jairinho criticou a condução das investigações sobre a morte de Henry Borel, afirmando que a defesa teve acesso recente a elementos que, em sua opinião, podem mudar a interpretação do caso. Ele mencionou a descoberta de novas provas em janeiro deste ano que, segundo ele, alteram completamente o cenário.
“Esse processo é tão fora da curva que, a cada mês que passa, temos acesso a novas provas. Tivemos acesso a provas em janeiro deste ano que mudam completamente as coisas que estão acontecendo”, afirmou aos jurados, pedindo que considerassem a verdade acima de tudo.
Defesa rebate acusações de Monique Medeiros
Rodrigo Faucz, um dos advogados de Jairinho, concedeu entrevista à imprensa após o depoimento de Monique Medeiros, contestando as declarações da mãe de Henry. Faucz afirmou que Monique não tem certeza sobre a responsabilidade de Jairinho na morte do filho e que nem ela nem o ex-vereador têm relação com o ocorrido.
O defensor também sustentou que não existem provas de agressões contra ex-companheiras, filhos ou mesmo contra Henry, e alertou que decisões baseadas apenas em declarações sem provas podem levar à absolvição.