A Polícia Civil de Mato Grosso realizou a prisão temporária de um jovem de 19 anos na manhã da última quinta-feira (19). Ele é o principal suspeito de envolvimento na execução de Willyan Junior Rodrigues da Silva, de 18 anos, um crime brutal que aconteceu em 1º de fevereiro, em uma quitinete no bairro Coxipó da Ponte, em Cuiabá. Conforme as apurações lideradas pelo delegado Bruno Abreu, o indivíduo detido, que era amigo íntimo da vítima, teria facilitado a entrada dos criminosos no local.
Willyan Junior foi brutalmente assassinado com 13 tiros, todos concentrados na cabeça. O homicídio ocorreu em uma propriedade alugada de última hora via aplicativo de hospedagem, onde a vítima procurava abrigo devido a ameaças de morte que vinha recebendo. As investigações sugerem que o suspeito teria fornecido fotografias do imóvel e dados cruciais aos executores, chegando a monitorar a localização das câmeras de segurança da vizinhança antes do ataque fatal.
A cronologia dos fatos
A apuração policial revela que o suspeito e a vítima chegaram à quitinete por volta das 14h. Ao longo da noite, a conduta do suposto amigo levantou suspeitas. Por volta das 19h, ele saiu do local alegando que compraria itens de higiene pessoal, sendo capturado por câmeras enquanto fotografava a fachada da propriedade e uma escola vizinha. Posteriormente, às 21h30, o jovem deixou a residência novamente, desta vez deixando o portão principal intencionalmente aberto.
Decorridos meros quarenta segundos da partida do suspeito, um carro parou nas proximidades do endereço. Três indivíduos desceram do veículo e invadiram a quitinete sem encontrar resistência. O trio dirigiu-se ao quarto onde Willyan se encontrava e deu início à ação violenta. O reduzido lapso temporal entre a saída do amigo e a chegada dos criminosos é um dos elementos cruciais que fundamentam a hipótese policial de um conluio.
Confira o vídeo:
Agressões e ordem de execução via videochamada
No instante da invasão, Willyan Junior estava com sua mãe. Ambos foram dominados e sofreram agressões físicas, que incluíram coronhadas e tapas. Em uma tentativa desesperada de proteger o filho, a mãe da vítima reagiu e entrou em confronto com os agressores, mas foi imobilizada. Durante a ação, os criminosos efetuaram uma videochamada para um terceiro indivíduo, perguntando se deveriam também executar a mãe do rapaz.
Conforme os testemunhos coletados, a instrução recebida foi clara: apenas o jovem de 18 anos deveria ser morto. Após consumarem o homicídio, os criminosos fugiram, levando consigo os telefones celulares das vítimas. O delegado Bruno Abreu enfatizou o comportamento peculiar do suspeito detido, que demonstra deboche durante os interrogatórios, negando sua participação no crime, mesmo diante das provas digitais e do fato de que somente ele e a mãe conheciam a localização exata de Willyan.
Vínculos com o crime organizado
A principal vertente investigativa aponta que Willyan Junior era alvo de cobranças por parte de uma organização criminosa. A vítima havia retornado recentemente da Bolívia, país para o qual havia fugido na tentativa de se esquivar de ameaças prévias.
Mensagens que faziam referência a transações via Pix foram encontradas, indicando que faziam parte do processo de intimidação que Willyan sofria antes de ser localizado em Cuiabá.
As autoridades policiais operam com a teoria de que o amigo teria revelado a localização de Willyan para assegurar sua própria segurança diante da facção criminosa. O objetivo da prisão temporária é agora identificar os três executores diretos e o mandante que autorizou o homicídio durante a videochamada.
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