Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 01 de Maio 2026
Política

Lula incentiva centrais sindicais a pressionar por fim da escala 6x1

Entidades entregaram 68 demandas ao presidente para os próximos cinco anos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Lula incentiva centrais sindicais a pressionar por fim da escala 6x1
© Valter Campanato/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Um dia após o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que visa limitar a jornada de trabalho a no máximo 40 horas semanais e extinguir a escala 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 propostas de representantes de centrais sindicais. As entidades participaram da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta quarta-feira (15).

Dirigindo-se aos líderes sindicais, o presidente ressaltou a importância da mobilização e da pressão dos trabalhadores para garantir a aprovação da redução da jornada de trabalho enviada ao Legislativo.

“Vocês não podem abrir mão da responsabilidade sagrada que têm de lutar pelos trabalhadores que representam”, declarou. Lula descreveu o momento como desafiador: “Não existe tempo fácil. Sempre há muito sacrifício. E toda vez que enviamos algo para aprovação no Congresso, vocês precisam ajudar”, argumentou.

Publicidade

Leia Também:

Burnout e a origem da proposta

Durante o evento, Lula prestou homenagem ao ativista e ex-balconista Rick Azevedo, idealizador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução de jornada. O presidente chegou a sugerir que a lei, caso aprovada, leve o nome do ativista.

Azevedo relatou ao presidente ter sofrido com burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e à falta de descanso. “Em 13 de setembro de 2023, eu disse: ‘chega’. Então, postei um vídeo no TikTok revoltado, denunciando esse modelo de trabalho de seis dias seguidos com apenas um dia de folga. O vídeo viralizou”, recordou.

Críticas a retrocessos e alertas

Lula aproveitou o encontro com as centrais sindicais para criticar as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), além de outras medidas que, em sua opinião, representaram um retrocesso para a classe trabalhadora.

O presidente avaliou que a luta dos trabalhadores se tornou mais árdua para as centrais sindicais neste período. Ele também alertou para a existência de grupos opositores no Brasil que defendem propostas semelhantes às implementadas na Argentina, que incluem a possibilidade de estender a jornada de trabalho para 12 horas diárias.

Momento de transformação e novas perspectivas

Os representantes das centrais sindicais expressaram satisfação com a iniciativa do governo de propor o fim da escala 6x1. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), mencionou a possibilidade de expansão do mercado de trabalho com a redução da jornada. “Essa medida pode gerar 4 milhões de empregos”, afirmou.

Na visão do presidente da CTB, o Brasil possui potencial para se reerguer com uma nova indústria focada em sustentabilidade socioambiental e na superação da desregulamentação. Ele destacou o alto risco associado à pejotização, prática que ocorre quando um profissional é contratado como pessoa jurídica, mas exerce funções típicas de um empregado regido pela CLT.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, também abordou a necessidade de preservar direitos e reduzir a jornada de trabalho. Ele comemorou a mobilização de mais de 20 mil trabalhadores na marcha e declarou que o projeto está pronto para ser implementado.

“É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para a própria pessoa.”

Discussões sobre o futuro do trabalho

Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que o conjunto de 68 reivindicações apresentadas ao presidente abrange os próximos cinco anos. Segundo ele, as categorias precisam estar preparadas para as profundas transformações no mundo do trabalho, impulsionadas por mudanças tecnológicas que afetam a todos.

“Mulheres e jovens serão os mais afetados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, de acordo com os estudos mais recentes da OIT. Temos também a questão das mudanças climáticas e da emergência ambiental, que impactam o mundo do trabalho”, pontuou.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, ressaltou a importância de proteger trabalhadores de aplicativos e entregadores. “É fundamental cuidar da vida, da saúde e da juventude, que representa o futuro do nosso país”, declarou.

Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), acrescentou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio. “Precisamos combater isso conscientizando a população por meio da educação”, defendeu.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR