A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 5,09% para 5,11% em 2024. Essa atualização consta no Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
O conflito no Oriente Médio e seu impacto nos preços de combustíveis têm sido um fator de pressão, levando à décima terceira elevação consecutiva na projeção do IPCA para este ano, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo BC.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, situando os limites inferior e superior em 1,5% e 4,5%, respectivamente.
Em abril, a alta dos alimentos contribuiu para que a inflação oficial registrasse 0,67%. O IPCA acumulado em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 4,39%, ainda dentro do intervalo da meta.
A divulgação do índice de inflação de maio pelo IBGE está prevista para a próxima sexta-feira (12).
As projeções para os anos seguintes indicam uma inflação de 4,03% em 2027, enquanto para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic e política monetária
Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na reunião de abril, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando a segunda redução consecutiva, mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas. A recente redução dos juros ocorreu em um contexto de desaceleração inflacionária. Contudo, a instabilidade no Oriente Médio, com reflexos no custo de combustíveis e alimentos, adiciona complexidade à condução da política monetária pelo Copom.
Em sua ata mais recente, o comitê não ofereceu indicativos claros sobre a trajetória futura da taxa de juros. O BC ressaltou que está acompanhando de perto o desenrolar do conflito e suas potenciais repercussões sobre a inflação.
O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a taxa Selic está agendado para os dias 16 e 17 de junho.
As projeções dos analistas de mercado compiladas nesta edição do Boletim Focus indicam um aumento na expectativa para a taxa Selic ao final de 2026, de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de uma redução para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente, com a taxa se mantendo em 10% ao ano em 2029.
Um aumento na taxa Selic pelo Copom visa frear a demanda aquecida, o que, por sua vez, impacta os preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. Taxas de juros mais elevadas podem, consequentemente, restringir a expansão econômica.
As instituições financeiras também consideram outros elementos ao determinar os juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, a margem de lucro desejada e os custos administrativos.
Por outro lado, a redução da Taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Esse cenário pode levar a um menor controle sobre a inflação, ao mesmo tempo em que impulsiona a atividade econômica.
Projeções para o PIB e câmbio
A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2024, apresentada no Boletim Focus desta semana, foi ajustada de 1,9% para 1,91%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%. As expectativas para 2028 e 2029 apontam para uma expansão de 2% ao ano.
No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira registrou um crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior. No acumulado em 12 meses, a expansão foi de 2%, conforme dados do IBGE.
Em 2025, o PIB do Brasil apresentou um crescimento de 2,3%, com contribuições de todos os setores, especialmente o agronegócio. Este resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão econômica.
A previsão para a cotação do dólar ao final de 2024, segundo o Boletim Focus, está em R$ 5,15. Para o encerramento de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana seja negociada a R$ 5,20.