Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 01 de Maio 2026
Justiça

Ministro André Mendonça impõe tornozeleira eletrônica a deputada do Ceará em caso do INSS

A Polícia Federal aponta a parlamentar como beneficiária de “vultosas quantias” desviadas de descontos fraudulentos sobre aposentadorias do INSS.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Ministro André Mendonça impõe tornozeleira eletrônica a deputada do Ceará em caso do INSS
© Carlos Moura/SCO/STF
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ministro André Mendonça, que atua como relator da Operação Sem Desconto no Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a solicitação da Polícia Federal (PF) para a prisão preventiva da deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE).

Como alternativa à detenção, Mendonça estabeleceu que a parlamentar utilize tornozeleira eletrônica, somando-se a outras restrições habituais, como a proibição de contato com demais envolvidos na investigação e a impossibilidade de deixar o território nacional.

As apurações indicam que a deputada foi beneficiada por “vultosas quantias” originadas de desvios em descontos associativos aplicados de forma fraudulenta sobre benefícios de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Publicidade

Leia Também:

“A Polícia Federal também evidencia que a deputada federal em questão recebeu somas consideráveis em sua conta bancária e efetuou transferências relacionadas ao esquema”, detalhou o ministro.

Apesar das evidências, Mendonça fundamentou sua decisão na necessidade de preservar a imunidade parlamentar, conforme estabelecido na Constituição. “Minha abordagem tem sido de cautela em relação a solicitações de prisão de membros do parlamento.”

As alternativas à prisão foram impostas “mesmo diante de vasta evidência de que a deputada federal Maria Gorete Pereira cometeu diversos delitos contra aposentados e pensionistas do INSS”, registrou o ministro.

Detenções

Em contrapartida, o ministro ordenou a prisão preventiva de Cecília Rodrigues Mota, que, segundo ele, “desempenhava um papel crucial na execução das filiações fraudulentas, dos descontos irregulares e na ocultação de bens”.

Natjo de Lima Pinheiro também foi detido. Mendonça apontou-o como um dos chefes da organização, incumbido da gestão financeira, da distribuição dos recursos e da formulação de táticas para a perpetuação do esquema.

Como ilustração de um possível delito cometido pela deputada Maria Gorete, Mendonça mencionou que o nome dela figura explicitamente em uma planilha de pagamento de propina, remetida por Natjo a Cecília. Ao lado do nome da parlamentar, consta o valor de R$ 780.433,50.

A Agência Brasil tenta contato com os representantes legais da deputada Maria Gorete Pereira e dos outros indivíduos mencionados.

Suborno a funcionários públicos

Registros da PF revelam, ademais, que Maria Gorete Pereira exercia controle direto sobre as associações e mantinha comunicação frequente com servidores do INSS, entre eles Alessandro Stefanutto, ex-presidente do órgão, também sob investigação.

Em outra parte da decisão proferida nesta terça-feira, Mendonça destaca que a PF constatou, por meio da análise de extratos bancários, que Stefanutto teria recebido até R$ 4 milhões de Cecília Rodrigues Mota.

A Operação Sem Desconto investiga a prática de descontos fraudulentos em aposentadorias e benefícios do INSS, ocorridos entre 2019 e 2024, que geraram prejuízos superiores a R$ 6 bilhões. O modus operandi do esquema envolvia a aprovação de autorizações falsificadas para a efetivação dos descontos.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
WhatsApp Opina News
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )