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Terça-feira, 30 de Junho 2026
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Política

Mobilização nacional pressiona Senado pelo fim da escala 6x1 e aprovação da PEC da jornada

Manifestações em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal impulsionam pauta da redução da jornada, com a PEC 221/2019 parada no Senado desde maio.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Mobilização nacional pressiona Senado pelo fim da escala 6x1 e aprovação da PEC da jornada
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Trabalhadores de todo o Brasil, representados por uma ampla **mobilização nacional** que teve início no Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (30), intensificam a pressão sobre o **Senado** Federal. O objetivo é claro: garantir o **fim da escala 6x1** e a aprovação da **PEC 221/2019**, que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de folga remunerada e sem perdas salariais, proposta que atualmente se encontra estagnada na Casa Legislativa.

Fátima Dantas de Souza Alves, uma operadora de caixa de 22 anos que enfrenta oito horas diárias de trabalho em pé, expressou o cansaço e a necessidade de "diversos alívios" que o fim da **escala 6x1**, com apenas um dia de folga semanal, proporcionaria aos trabalhadores.

Ela ressaltou a falta de tempo para o autocuidado físico e mental, para a família e para a casa, afirmando: "Hoje eu não tenho tempo de qualidade com a minha família. Não tenho tempo de cuidar da minha saúde." A jovem, que aspira ingressar na faculdade e se tornar professora, vê na mudança da jornada uma oportunidade para concretizar seus sonhos.

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O ato no Rio de Janeiro, que contou com centenas de participantes empunhando bandeiras e faixas, percorreu aproximadamente 6 quilômetros, incluindo trechos da movimentada Avenida Brasil, durante quase duas horas.

Jornada em 21 cidades

Esta mobilização integra um **Dia Nacional de Jornadas**, coordenado por importantes entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e as frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Para esta terça-feira, a agenda previa manifestações em 21 cidades, abrangendo 14 estados e o Distrito Federal. O objetivo primordial dos ativistas é impulsionar a tramitação da **Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019**, que propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer prejuízo salarial.

Tramitação da PEC

A **PEC 221/2019** obteve aprovação na Câmara dos Deputados em 27 de maio. Contudo, desde essa data, a proposta encontra-se estagnada no **Senado**, aguardando o despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Se o **Senado** ratificar o texto sem modificações substanciais, a proposta será encaminhada para promulgação pelo Congresso Nacional. Caso contrário, havendo alterações por parte dos senadores, a PEC retornará para nova deliberação na Câmara.

No início de junho, o senador Alcolumbre indicou que a análise da PEC deveria ser feita "sem pressa", sugerindo a possibilidade de "melhorias" no conteúdo. Em resposta, Leonardo Guimarães, ativista da Frente Brasil Popular, anunciou um encontro agendado para quarta-feira (1º) entre centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais com Davi Alcolumbre, visando "destravar a pauta do **fim da escala 6x1**".

Para intensificar a pressão popular, a CUT lançou o site Na Pressão, uma plataforma que permite aos cidadãos enviar mensagens diretamente aos parlamentares, cobrando a tramitação da PEC.

Rick Azevedo (PSOL), vereador no Rio de Janeiro, idealizador do VAT e um dos principais articuladores nacionais do movimento contra a **escala 6x1**, descreve o atual momento como "crucial para os trabalhadores brasileiros".

Ele teceu críticas à postura do senador Alcolumbre pela falta de celeridade na tramitação da PEC, garantindo que a classe trabalhadora "não recuará".

"Hoje não se trata mais só de um balconista de farmácia querendo o fim da **escala 6x1**. O recado concreto que a gente pode dar hoje é que nós não vamos desistir", declarou à Agência Brasil, rememorando sua antiga profissão e um vídeo que viralizou, unindo a população em torno da causa trabalhista.

Azevedo concluiu, evocando conquistas históricas: "O décimo terceiro salário, as férias remuneradas, licença-maternidade, entre outros direitos, foram conquistas da classe trabalhadora. A gente também vai conquistar o fim da **escala 6x1**."

Apoio da população

Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), destacou o apoio dos populares ao longo do trajeto da manifestação, além da solidariedade expressa a outras categorias, como a dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro, que estavam em seu segundo dia de greve.

"Durante todo o percurso, fomos muito bem recebidos pelos trabalhadores, o que mostra que essa luta já ganhou o apoio da classe trabalhadora brasileira", avaliou Siqueira, reforçando a abrangência da causa.

Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, sublinhou que a categoria que representa está entre as mais afetadas pela **escala 6x1**, com apenas um dia de folga semanal.

Ele defende que um maior período de descanso resultaria em maior dedicação e, por consequência, em um aumento da produtividade. "Com trabalhador mais descansado e com uma jornada de trabalho mais digna, consequentemente a produtividade tem de aumentar", argumentou Ayer, concluindo: "Acho que essa conta o empresariado não está disposto a fazer".

Impactos

Nos últimos meses, o debate sobre os impactos econômicos da alteração na **escala de trabalho** tem gerado divergências em diversas pesquisas.

Representantes do setor produtivo, incluindo industriais e empresários do comércio, alertam para potenciais efeitos negativos, como a redução da produtividade, o aumento da inflação e a expansão da informalidade.

Em contrapartida, outros estudos sugerem que mais dias de folga podem impulsionar a motivação dos empregados e, consequentemente, aumentar o tempo disponível para o consumo, dinamizando a economia.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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