O mundo do Carnaval não tem outra pergunta neste momento: por que Paolla Oliveira disse não à Grande Rio, sua escola do coração, e sim à Imperatriz Leopoldinense? Primeiro, entenda: Paolla hoje é a segunda maior rainha de bateria do Carnaval (lembre-se que o reinado ainda é de Viviane Araújo). Depois de Viviane, ela é a maior rainha de bateria da atualidade na Sapucaí.
E o mais impressionante é que Paolla cresce a cada ano. Ela conseguiu algo dificílimo: se transformar em uma das imagens que representam o próprio Carnaval.
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Em 2024, vestida de onça pela Grande Rio, ela simplesmente parou a Sapucaí. A fantasia, que permitia que Paolla se transformasse no animal durante o desfile, virou um dos grandes momentos daquele Carnaval e ganhou repercussão internacional. Entendeu a relevância de Paolla?
Ela não faz isso apenas para aparecer. Não é sobre fama. Ela faz porque ama o Carnaval. E quem não ama não consegue entregar, ano após ano, o que ela entrega.
E aqui começa uma história que muita gente esquece.
A Grande Rio foi a primeira escola de Paolla como rainha, em 2009. Ela repetiu o reinado em 2010, quando protagonizou outro momento histórico ao desfilar vestida de gari, em homenagem a Renato Sorriso. Depois, ficou dez anos longe da escola e retornou em 2020.
Existe, portanto, uma história longa e bonita entre Paolla e a Grande Rio. A primeira saída não aconteceu simplesmente porque Paolla quis ir embora. A escola tinha uma estranha regra de não manter uma rainha por mais de dois anos, e o ciclo dela chegou ao fim. Dez anos depois, ela voltou. E ficou. Até 2025, quando decidiu deixar o posto por questões pessoais.
Só que 2025 deixou sinais. Paolla chegou a anunciar que abriria o desfile da Grande Rio, mas acabou não entrando na Avenida. Assistiu de longe, nos camarotes. Alguma coisa já havia mudado. Então, Virginia Fonseca deixou a Grande Rio, e a escola voltou a procurar Paolla.
E aí está o ponto: ser plano B nunca é agradável.
Uma mulher como Paolla Oliveira não pode ser lembrada apenas quando outra pessoa desiste. Ela não pode ser a segunda opção de nenhuma escola.
E foi justamente aí que surgiu a Imperatriz Leopoldinense.
Uma das escolas mais tradicionais do Rio, comandada por uma família que soube preservar o legado de Luizinho Drummond mesmo depois de sua morte. A escola que fez história com Rosa Magalhães, se renovou e está com o melhor carnavalesco do Carnaval: Leandro Vieira. Ele não gosta muito dos holofotes. Talvez por isso, só daqui a alguns anos as pessoas terão a real noção do legado dele. Leandro é um gênio. Um gênio da cultura popular. Ele fala sobre o povo e da cultura popular como poucos e, principalmente, fala com profundidade.
E algumas conexões ajudaram a aproximar Paolla de Ramos. Iza, amiga próxima da atriz, deixou referências positivas da escola. Kátia Drummond, integrante da família que comanda a Imperatriz, é vizinha de Paolla.
Mas existe algo ainda maior: a Imperatriz ofereceu a Paolla aquilo que a Grande Rio não ofereceu neste momento: a condição de ser primeira opção.
Ramos ganha uma das maiores rainhas de bateria da história recente do Carnaval. A sucessora de Viviane Araújo no posto de maior referência da Sapucaí.
A tradição da Imperatriz agora se encontra com uma rainha que já provou que consegue transformar desfile em acontecimento.
Que venha o Carnaval de Paolla Oliveira!



