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Terça-feira, 01 de Setembro 2026
Economia

Orçamento de 2027 prevê aporte de R$ 6 bilhões para os Correios em reestruturação

A verba integra acordo de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com bancos e busca fortalecer o caixa da estatal após resultados negativos.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Orçamento de 2027 prevê aporte de R$ 6 bilhões para os Correios em reestruturação
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O governo federal vai prever um aporte de R$ 6 bilhões no caixa dos Correios em 2027, como parte do acordo de financiamento firmado pela estatal no fim de 2025 e do plano de reestruturação da empresa.

Essa quantia será integrada ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O documento deve ser enviado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31).

A decisão surge logo após a companhia reportar um prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026.

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A confirmação do repasse veio por meio de nota oficial conjunta assinada pelos ministérios das Comunicações, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e do Planejamento e Orçamento.

Conforme o comunicado, os R$ 6 bilhões estão vinculados às exigências contratuais de um empréstimo total de R$ 12 bilhões obtido junto a cinco instituições financeiras em dezembro de 2025.

O pacto determina que a União repasse o montante mínimo para sustentar o reequilíbrio da empresa pública. Embora o prazo limite seja o final de 2027, o governo detém autonomia sobre o cronograma de liberação.

Como a operação contou com o aval do Tesouro Nacional, o governo poderá ser acionado para quitar o débito com os credores caso a estatal falhe em suas obrigações.

Balanço financeiro

No sábado (29), a diretoria divulgou dados apontando um prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e de R$ 5,5 bilhões acumulados entre janeiro e junho.

Mesmo apresentando melhora frente a períodos anteriores de 2025, o resultado negativo semestral ainda superou em cerca de 30% o patamar do primeiro trimestre.

Principais números

  • R$ 2,4 bilhões: prejuízo líquido no segundo trimestre de 2026
  • Redução de 5,5% do prejuízo do segundo trimestre ante o mesmo período de 2025
  • R$ 5,5 bilhões: prejuízo acumulado no primeiro semestre
  • Alta de 30,4% do prejuízo semestral em relação a 2025
  • R$ 7,9 bilhões: receita no primeiro semestre
  • R$ 274,5 milhões: margem bruta no semestre
  • Queda de 4,2% nos gastos com pessoal no semestre
  • R$ 233,7 milhões: economia com despesas de pessoal
  • 6.545: empregados desligados pelo PDV, dos quais 2.767 no primeiro semestre
  • R$ 322 milhões: economia com a regularização de passivos vencidos
  • R$ 1,8 bilhão: dívida bancária quitada antecipadamente
  • R$ 460,4 milhões: queda nas receitas do segmento internacional

Crise financeira

A companhia enfrenta um cenário adverso com quedas de faturamento e despesas elevadas. Para reverter o quadro, um plano de reestruturação foi lançado no fim de 2025.

Entre as estratégias adotadas estão o Programa de Demissão Voluntária (PDV), cortes de custos, comercialização de imóveis desocupados e ajustes operacionais diversos.

A pressão sobre as contas decorre da retração nos serviços postais tradicionais, custos crescentes e acirrada concorrência no setor logístico nacional.

Dívida alongada

Apesar do prejuízo, o perfil do endividamento apresentou melhorias. A estatal zerou os compromissos de curto prazo e esticou prazos de pagamento.

Novas conversas para obtenção de crédito adicional na casa de R$ 7 bilhões também ocorrem com apoio governamental.

Custos sob controle

As despesas operacionais ficaram abaixo do projetado, auxiliadas pela redução de pessoal decorrente do PDV e por uma gestão mais rigorosa.

O indicador Ebitda registrou desempenho superior ao esperado, sinalizando avanços na recuperação operacional, embora os desafios de liquidez persistam.

Garantia do Tesouro

O crédito de R$ 12 bilhões foi concedido por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. O Tribunal de Contas da União (TCU) monitora o cumprimento das obrigações.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
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