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Quinta-feira, 02 de Julho 2026
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PF prende bicheiro, ex-presidente da Alerj e pastor em nova fase contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal mira aprofundar investigações sobre lavagem de dinheiro do jogo do bicho e suas conexões políticas no Rio de Janeiro.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
PF prende bicheiro, ex-presidente da Alerj e pastor em nova fase contra lavagem de dinheiro
© Polícia Federal/RJ
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, visando aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro e as ramificações de um esquema ligado ao jogo do bicho. A ação resultou na prisão de figuras proeminentes da política, religião e da contravenção no estado, além de mandados de busca e apreensão.

Entre os principais alvos dos três mandados de prisão estão Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como contraventor do jogo do bicho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o empresário e pastor Márcio Poncio. Adicionalmente, um mandado de busca e apreensão foi cumprido contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

A PF, em comunicado oficial, esclareceu que o objetivo desta etapa da operação é intensificar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro, supostamente orquestrada pelo líder da nova cúpula do jogo do bicho. A investigação busca também desvendar possíveis ramificações do esquema que possam envolver integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

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A corporação destacou que as investigações continuarão com a minuciosa análise do material apreendido, a fim de identificar o fluxo financeiro do esquema. Além disso, a apuração visa determinar a participação de possíveis beneficiários, intermediários e operadores envolvidos.

Em resposta às acusações, a defesa de Adilsinho negou categoricamente o pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. O advogado Ricardo Braga, responsável pela defesa, afirmou em nota que confia plenamente no Poder Judiciário e no devido processo legal.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações foram iniciadas após a apreensão de documentos em posse do contraventor. Essas listas continham registros que indicavam supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela, vinculada à lavagem de capitais.

A PF ressaltou que o conteúdo das listas apreendidas despertou especial atenção dos investigadores, pois apontavam para possíveis repasses diretos de valores a diversos agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.

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Adilsinho: histórico de prisões e acusações

Adilsinho já se encontrava detido desde fevereiro, quando foi localizado em sua residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A prisão foi efetuada por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (Ficco/RJ) e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), com o apoio do Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião, o contraventor estava foragido da Justiça Federal e era procurado pela Justiça estadual.

Além de ser apontado como um dos principais integrantes da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e suspeito de ser mandante de homicídios, Adilsinho também é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados em todo o estado.

Um novo pedido de prisão preventiva contra o contraventor foi decretado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Este mandado está relacionado à morte do policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, ocorrida em junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.

Juntamente com Adilsinho, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o ex-policial militar Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como “Sem Alma”, e Jefferson Rodrigues da Silva, o “Jefe”.

O advogado Ricardo Braga informou à Agência Brasil que, no momento, não pode se pronunciar sobre os desdobramentos judiciais envolvendo as múltiplas decretações de prisão contra seu cliente. "Só consigo responder após ter acesso aos autos, que ainda não tenho", declarou.

Situação de Rodrigo Bacellar e Márcio Poncio

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa fluminense, foi detido no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, zona oeste da capital. Na manhã desta quinta-feira, ele foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, localizada na região portuária do Rio.

Há expectativa de que o ex-presidente da Alerj seja transferido para uma unidade do sistema penitenciário federal.

A Agência Brasil tentou contato com a defesa de Bacellar, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta reportagem.

O terceiro mandado de prisão foi cumprido contra o pastor e empresário Márcio Poncio, que foi detido na manhã de hoje em um flat na Praia da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. A Agência Brasil também não conseguiu contato com a defesa do pastor.

Defesa de Marco Antônio Cabral se manifesta

A defesa do ex-deputado Marco Antônio Cabral, que foi alvo de um mandado de busca e apreensão, negou qualquer envolvimento com organizações criminosas. Em nota, a advogada Patrícia Proetti afirmou que seu cliente está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

A nota enfatiza que Marco Antônio Cabral "nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita".

FONTE/CRÉDITOS: Cristina Índio do Brasil - repórter da Agência Brasil
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