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Domingo, 09 de Agosto 2026
Direitos Humanos

Polícia Civil registra 783 mil casos de atendimento à mulher em todo o país em 2025

Estudo do MJSP revela que a Região Sudeste concentrou quase metade das vítimas e indica que 80% das estruturas policiais não funcionam 24 horas por dia.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Polícia Civil registra 783 mil casos de atendimento à mulher em todo o país em 2025
© José Cruz/Agência Brasil
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As delegacias da Polícia Civil registraram mais de 782 mil ocorrências de atendimento à mulher em todo o Brasil ao longo de 2025. Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostram uma alta em casos de perseguição e indicam a necessidade frequente de suporte contínuo para as vítimas do país.

No total, 329.451 mulheres buscaram o serviço no ano passado. O volume total de registros supera o número de pessoas atendidas, o que confirma que muitas vítimas necessitam retornar aos órgãos policiais mais de uma vez para relatar agressões ou solicitar apoio técnico.

A compilação faz parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, publicado na última sexta-feira (7). A divulgação do levantamento do MJSP ocorre justamente no âmbito do vigésimo aniversário da promulgação da Lei Maria da Penha.

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O estudo recolheu informações estratégicas em 530 das 585 estruturas existentes no território nacional. A Região Sudeste contabilizou a maior proporção de vítimas, com 125.769 notificações (47,8% do total), sendo que o estado de São Paulo liderou o ranking nacional com 84.103 ocorrências atreladas a mulheres violentadas.

As demais regiões registraram números significativos: o Nordeste teve 53.067 vítimas (20,2%), o Centro-Oeste alcançou 43.662 (16,6%), o Sul somou 21.087 (8,0%) e o Norte registrou 19.712 (7,5%). Os dados evidenciam a dimensão nacional do problema da violência de gênero.

Tipos de ocorrência e medidas de proteção

Em relação às infrações mais reportadas em 2025, o crime de ameaça liderou os índices com 148.544 casos. Na sequência, surgem as acusações de lesão corporal (99.473) e de injúria (88.739). Por outro lado, as maiores altas frente ao estudo anterior (2023) foram observadas na violência psicológica (49,7%) e na perseguição (44,3%).

O levantamento governamental destaca ainda que a atuação policial resultou em 302.626 solicitações de medidas protetivas de urgência. Ao todo, 118.672 garantias judiciais foram efetivamente concedidas às solicitantes, mas 38.214 acabaram descumpridas pelos agressores denunciados.

As delegacias voltadas ao público feminino surgiram no país em 1985, com a fundação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam) no centro paulistano. Atualmente, a rede conta com 6.200 servidores especializados no acolhimento adequado e humanizado das vítimas.

Gargalos de infraestrutura e carências

Apesar da expansão histórica, a pesquisa aponta sérias carências operacionais: 80% das unidades policiais ainda não funcionam em regime ininterrupto de 24 horas. Além disso, 57% dos locais relatam escassez de recursos de investigação, 46% apontam falta de viaturas e 40% indicam ausência de equipamentos de menor potencial ofensivo.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
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