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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Justiça

Polícia Federal mira desembargador e deputado de Mato Grosso por venda de sentenças

Ação da PF investiga corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro em Mato Grosso

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Polícia Federal mira desembargador e deputado de Mato Grosso por venda de sentenças
© Polícia Federal/divulgação
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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini em Mato Grosso, visando um desembargador e um deputado estadual sob suspeita de venda de sentenças e lavagem de dinheiro. Esta ação representa um importante passo no combate à corrupção no estado.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã de hoje em locais associados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT), ao deputado estadual Faissal Calil (PL) e ao advogado Bruno Castro.

A PF informou que os investigados respondem por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Adicionalmente, seus sigilos bancário, fiscal e telemático foram devidamente quebrados para aprofundar as apurações.

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Em frente à sua residência, onde a imprensa local se reuniu, o deputado Faissal Calil confirmou ter entregado seu celular e senhas à PF. Ele veementemente negou qualquer participação no esquema de venda de sentenças.

O parlamentar, que já foi servidor da Justiça mato-grossense e atuou no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, afirmou não manter mais contato com o magistrado.

"Desde que me tornei deputado e deixei o Tribunal de Justiça, perdi completamente o contato", declarou ele aos jornalistas.

A Agência Brasil buscou contato com o desembargador e com o advogado Bruno Castro, que é apontado como intermediário no esquema. Até o momento, o TJMT não emitiu qualquer posicionamento oficial sobre as investigações.

Ações do CNJ contra o desembargador

Dirceu dos Santos já é alvo de um processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que resultou em seu afastamento das funções no início de março. A medida foi tomada em meio à investigação de movimentações financeiras incompatíveis com sua remuneração como juiz.

Quebras de sigilo bancário e fiscal, já realizadas pelo CNJ, revelaram que o magistrado movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. Contudo, seus rendimentos oficiais no mesmo período somaram apenas R$ 1,9 milhão.

O órgão de controle da Justiça aponta que "foram identificados indícios de que o magistrado proferiu decisões mediante o possível recebimento de vantagens indevidas, intermediando atos decisórios através de terceiros, como empresários e advogados".

O afastamento cautelar do desembargador não possui prazo definido, sendo esperado que permaneça em vigor, no mínimo, até a conclusão das investigações em curso.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
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