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Domingo, 10 de Maio 2026
Política

Projeto estabelece roteiro para economia de baixo carbono e desmatamento zero no Brasil

Uma das metas é erradicar o desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Projeto estabelece roteiro para economia de baixo carbono e desmatamento zero no Brasil
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
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Um novo projeto de lei (PL 6615/25) propõe a criação de um "mapa do caminho" para guiar o Brasil em direção à diminuição das emissões de gases de efeito estufa, à transição energética e ao uso sustentável da terra.

A iniciativa, denominada Mapa do Caminho Brasileiro da Transição Justa para a Economia de Baixo Carbono e o Desmatamento Zero, funcionará como um planejamento estratégico com validade até 2050, com caráter vinculante.

Entre os objetivos estabelecidos estão:

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reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em 59% a 67% até 2035, comparado aos níveis de 2005 (emissões líquidas consideram o total emitido menos o que é compensado, como por meio de reflorestamento);

atingir a neutralidade de emissões até 2050, o que significa emitir apenas o volume que pode ser compensado;

erradicar o desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030;

alcançar o desmatamento líquido zero até 2035, exigindo que qualquer desmate seja compensado pela recuperação de vegetação;

recuperar pelo menos 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030, área equivalente ao tamanho do estado do Acre;

e restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

O projeto foi apresentado pelo deputado Nilto Tatto (PT-SP) após a COP30, conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada em Belém, Pará, em novembro de 2025.

O deputado explicou que a intenção é consolidar em política de Estado as diretrizes de transição energética e combate ao desmatamento que o Brasil defendeu na conferência, mas que não foram incorporadas ao acordo final devido à oposição de nações produtoras de combustíveis fósseis.

"Ao fazer isso, o Brasil não apenas dá consequência doméstica à agenda que defende em foros multilaterais como também oferece um modelo normativo que pode inspirar outras nações em desenvolvimento, especialmente aquelas com grande potencial de energias renováveis e de conservação florestal", declarou Tatto.

Como o plano funcionará

O plano terá vigência até 2050 e prevê a instituição de orçamentos de carbono. Estes serão limites máximos de emissão de gases para o país e para setores específicos da economia, com validade de cinco anos e atualizações periódicas.

A proposta também veda a redução de metas climáticas já assumidas internacionalmente pelo Brasil.

O Poder Executivo ficará encarregado de elaborar, monitorar e atualizar as metas. Deverá, ainda, divulgar relatórios anuais com os resultados e os gastos para assegurar a transparência.

Setores específicos

O projeto estabelece regras particulares para setores com maior dificuldade em reduzir emissões, incluindo:

  • Indústrias química e petroquímica
  • Siderurgia
  • Produção de cimento
  • Geração de energia
  • Fertilizantes
  • Mineração

Para estes segmentos, o plano determina prazos para a adoção de tecnologias menos poluentes e prevê a diminuição progressiva de incentivos a atividades com alta emissão de carbono.

Como o plano será financiado

O financiamento do plano será composto por:

  • Recursos do orçamento federal
  • Fundos constitucionais e regionais
  • Apoio de instituições financeiras públicas e privadas

O Fundo Social do Pré-Sal deverá destinar ao menos 10% de seus rendimentos de aplicações para custear as ações do plano, utilizando parte da receita do petróleo para financiar a transição para uma economia mais limpa.

O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) deverá reservar no mínimo 50% de seus recursos anuais para projetos que estejam em conformidade com o plano.

Uma proposta idêntica foi apresentada no Senado Federal pelo senador Beto Faro (PT-PA) sob o número PL 6616/15, com o objetivo de agilizar a tramitação do Mapa do Caminho.

As próximas etapas incluem a análise da proposta pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias
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