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Quarta-feira, 01 de Julho 2026
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Política

Senado debate PEC 6x1: empresários criticam redução da jornada de trabalho, governo e sindicatos defendem

Líderes patronais alertam para aumento de custos, enquanto defensores da proposta destacam benefícios humanos e absorção econômica.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Senado debate PEC 6x1: empresários criticam redução da jornada de trabalho, governo e sindicatos defendem
© Lula Marques/Agência Brasil.
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Em uma audiência pública acalorada no Senado Federal, **empresários** e senadores da oposição manifestaram forte oposição à **Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6x1**, que busca pôr fim à escala de trabalho 6x1 e reduzir a **jornada de trabalho** para 40 horas semanais. Por outro lado, representantes do governo e de centrais sindicais defenderam a medida, argumentando que os custos econômicos são mínimos e os benefícios para os trabalhadores são significativos, abordando questões como exaustão e qualidade de vida.

A discussão ocorre enquanto a PEC, que já se encontra há mais de um mês na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aguarda deliberação. Setores como comércio, transportes e indústria, juntamente com senadores da oposição, criticaram a proposta.

Eles alegam que a medida elevará substancialmente os custos laborais, impactando negativamente a economia. A visão patronal é que a definição da jornada de trabalho deveria ser resultado de negociação direta entre empregados e empregadores, e não uma alteração legislativa.

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Custos e produtividade em debate

Representantes de centrais sindicais e do governo federal contrapõem, afirmando que os custos da **PEC 6x1** para a economia seriam modestos, comparáveis a um aumento do salário mínimo, e totalmente absorvíveis pelas empresas.

Os defensores da proposta enfatizam que a escala 6x1 tem levado à exaustão dos trabalhadores, que necessitam de mais tempo para suas famílias, estudos e lazer. A PEC não só institui dois dias de descanso semanais, mas também reduz a jornada de 44 para 40 horas, sem qualquer corte salarial.

Ivo Dall’Acqua, presidente da Federação de Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), ressaltou que o verdadeiro desafio do Brasil não é a quantidade de trabalho, mas sim a produtividade. “O problema não é o trabalhador. O problema é a produtividade da economia. Primeiro, precisamos produzir mais riqueza, depois, distribuí-la”, argumentou o empresário, citando o caminho de economias de referência internacional.

Exaustão e saúde dos trabalhadores

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-geral da Presidência da República, corroborou a tese de que os custos econômicos da PEC são absorvíveis, comparando-os aos aumentos reais do salário mínimo, que não resultaram em falências ou desemprego.

“[Estudo do Ipea calculou um impacto] de 7,8%, que é algo proporcional ao aumento real de salário mínimo. Aumentou-se o salário e nenhuma empresa faliu. Nenhuma empresa deixou de operar, não houve desemprego. Ao contrário, nós estamos na menor taxa de desemprego da série histórica no Brasil”, defendeu Boulos.

Estudos sobre os impactos da PEC no Produto Interno Bruto (PIB), inflação e nível de emprego apresentam resultados divergentes. Contudo, o ministro Boulos salienta os benefícios humanos da proposta para milhões de trabalhadores.

Ele destacou o recorde de afastamentos por burnout, depressão e ansiedade no Brasil no ano passado, atribuindo-os à exaustão. Em 2025, 4,1 milhões de trabalhadores foram afastados temporariamente por problemas de saúde, um aumento de 15% em relação a 2024, com destaque para questões musculoesqueléticas e transtornos mentais.

Boulos também lembrou que experiências anteriores de redução da jornada de trabalho resultaram em aumento da produtividade, pois “um trabalhador mais descansado é um trabalhador mais produtivo”.

Propostas alternativas e apelos por adiamento

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), apresentou uma PEC alternativa que mantém a escala 6x1 e a jornada atual, mas introduz um contrato por hora trabalhada. Ele expressou preocupação com o risco de informalidade e a perda de liberdade de negociação.

“Nós vamos criar situações que vão levar à informalidade? Nós vamos tirar a liberdade das pessoas de fazerem o que querem fazer? Nós vamos tirar a liberdade de as pessoas se entenderem? E como fica a pequena, a micro, a média empresa e os microempreendedores individuais?”, questionou Skaf.

O presidente da Fiesp também apelou para que a votação da PEC 6x1 seja postergada para depois das eleições de outubro, argumentando contra a motivação eleitoral e em prol de uma deliberação consciente dos parlamentares.

Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), reforçou que a PEC elevaria os custos do setor de transportes e sugeriu uma transição mais longa para a redução das jornadas. Ele propôs a redução de uma hora por ano, o que facilitaria a absorção dos custos pelos empresários.

A versão da PEC aprovada na Câmara prevê um prazo de 60 dias para o fim da escala 6x1 e 14 meses para a implementação das 40 horas semanais.

Qualidade de vida e distribuição de riqueza

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), relembrou que a demanda por uma jornada de 40 horas remonta à greve de 1917 no Brasil. “Todos nós temos o direito de viver. Nós gostamos de trabalhar, sou apaixonado pelo trabalho, mas acho que nós merecemos também viver, estar com a família”, afirmou Patah.

Ele também chamou a atenção para o tempo gasto pelos trabalhadores no deslocamento diário. “Nós não podemos ter um país onde poucas pessoas têm privilégios extraordinários e milhões de pessoas estão exauridas”, alertou.

Paulo Pereira, ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, defendeu que os avanços econômicos das últimas quatro décadas sejam compartilhados com os trabalhadores. “Muito dinheiro na mão de poucos é miséria e desigualdade. Pouco dinheiro na mão de muitos é desenvolvimento, é consumo, é uma economia mais dinâmica”, argumentou.

O ministro citou um projeto de lei do Executivo que visa aumentar o limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e permitir a contratação de dois trabalhadores, como uma medida para apoiar pequenos negócios em meio à possível redução da jornada.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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