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Quarta-feira, 15 de Julho 2026
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Justiça

Sindicato de jornalistas pede ao TSE para atuar em ação da EBC sobre acervo da Agência Brasil

Entidade busca garantir acesso público ao conteúdo jornalístico da Agência Brasil durante período eleitoral, argumentando contra o arquivamento de matérias.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Sindicato de jornalistas pede ao TSE para atuar em ação da EBC sobre acervo da Agência Brasil
© Agência Brasil
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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permissão para intervir como amicus curiae em um processo movido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O objetivo é assegurar que o público mantenha o acesso ao acervo jornalístico da Agência Brasil, especialmente durante o período eleitoral.

A EBC, empresa pública ligada à Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), decidiu arquivar o conteúdo da Agência Brasil dos últimos três anos e meio. A medida visa evitar potenciais infrações às normas de publicidade indevida até as eleições de outubro.

A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, explicou em artigo que a decisão se deu pela dificuldade prática em revisar mais de 180 mil matérias. A verificação individual em busca de menções a autoridades ou termos que pudessem configurar propaganda seria inviável, e a empresa não dispõe de ferramentas confiáveis para tal análise em larga escala.

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Diante disso, a EBC busca no TSE a autorização e segurança jurídica para manter o acesso ao seu acervo jornalístico. É neste contexto que o SJPDF pleiteia sua participação no caso como amicus curiae, termo em latim que significa “amigo da corte”.

Como amicus curiae, o sindicato poderá apresentar informações e dados relevantes para a análise do processo, embora sem poder fazer pedidos diretos ao juiz ou recorrer sobre o mérito da ação.

Prejuízo à sociedade e ao direito à informação

Em sua manifestação ao tribunal, o sindicato argumentou que o arquivamento do acervo prejudica diretamente a população ao restringir o direito de acesso à informação. Além disso, a medida atenta contra a autonomia da comunicação pública e a liberdade de imprensa.

O SJPDF também ressaltou a distinção entre a Agência Brasil, parte do braço público da EBC, e outros veículos da empresa que compõem o braço governamental.

“Um dos principais argumentos apresentados [ao TSE] é que o conteúdo jornalístico produzido pela EBC possui natureza jurídica distinta da publicidade institucional e, por isso, não pode ser submetido automaticamente às restrições previstas para propaganda governamental durante o período de defeso eleitoral”, informou o sindicato em nota.

Adicionalmente, a entidade afirma que a remoção do conteúdo da Agência Brasil pode transmitir uma percepção equivocada sobre o papel do veículo. Pode sugerir, indevidamente, que o jornalismo veiculado pela EBC constitui promoção institucional ou publicidade governamental.

O sindicato também apontou os impactos negativos do arquivamento do acervo da Agência Brasil para a sociedade.

Segundo o SJPDF, foram retiradas do ar “milhares de reportagens sobre temas que raramente recebem cobertura aprofundada na mídia comercial, como direitos humanos, povos indígenas, quilombolas, meio ambiente, ciência, cultura regional, agricultura familiar e Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros”.

Comunicação Pública como pilar

Veículos como a TV Brasil, Agência Brasil, Rádio Nacional, Rádio MEC e Radioagência Nacional, todos integrantes da EBC, produzem um vasto leque de conteúdos jornalísticos, culturais, educativos, históricos e documentais que pertencem à sociedade brasileira.

A Constituição Federal estabelece a complementaridade entre os sistemas de radiodifusão privado, público e estatal.

Enquanto a comunicação governamental, praticada por outros braços da EBC, foca na divulgação de atos governamentais, o jornalismo público tem o compromisso de fornecer informação de interesse social, desvinculado das prioridades comerciais que dominam grande parte do mercado de comunicação.

FONTE/CRÉDITOS: Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil
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