Nesta terça-feira (14), o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propôs a instituição de um selo de reconhecimento destinado a premiar os institutos de pesquisas eleitorais que demonstrarem maior precisão nos resultados das eleições de outubro.
A sugestão emergiu durante um encontro com representantes dos institutos de pesquisa, convocado para debater novos parâmetros para a divulgação dos levantamentos. Essa discussão ocorre após uma recente decisão do TSE que resultou na suspensão de uma pesquisa de intenção de voto da AtlasIntel para a presidência da República.
Segundo Nunes Marques, o Selo Acurácia Eleitoral visa a distinguir o trabalho dos institutos que apresentarem um "maior grau de aderência aos resultados oficiais" das urnas.
O ministro justificou a iniciativa como um mecanismo essencial para a valorização das boas práticas e o contínuo aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais. Ele enfatizou que o reconhecimento público será concedido às empresas que comprovarem elevada acurácia em seus levantamentos.
Após o anúncio, o TSE estabeleceu um prazo, até a próxima sexta-feira (17), para receber contribuições e sugestões que auxiliarão na definição dos critérios para a seleção dos institutos agraciados com o selo.
Outro lado
Em contrapartida, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) manifestou críticas à proposta. A entidade reiterou que as pesquisas eleitorais capturam a intenção de voto em um determinado momento, não constituindo "previsões nem promessas de resultado".
A ABEP argumenta que, entre a realização da entrevista e o dia da votação, eleitores podem alterar suas opiniões, abster-se ou modificar seu comportamento. "Exigir que uma pesquisa acerte o resultado final é confundir ciência com bola de cristal", declarou a associação.
A ABEP também expressou apreensão quanto à potencial intenção da Justiça Eleitoral de "assumir o papel de árbitro" na avaliação da qualidade das pesquisas eleitorais.
A entidade concluiu que iniciativas dessa magnitude devem ser desenvolvidas em diálogo constante com a comunidade científica e os próprios institutos. O objetivo é evitar que tais medidas "estimulem práticas oportunistas e desvalorizem o rigor metodológico que deve orientar toda pesquisa séria".