A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) concluiu o ano fiscal de 2025 com um saldo negativo de R$ 182,5 milhões. O relatório financeiro, aprovado em assembleia geral com a participação das 27 federações estaduais nesta segunda-feira (27/4), marca uma inversão em relação ao superávit do ano anterior.
Em 2024, as contas da entidade haviam apresentado um superávit de R$ 107 milhões. A alteração nesse cenário deve-se principalmente ao expressivo aumento das despesas operacionais ao longo do período. Um dos principais fatores que contribuíram para isso foi o pagamento de R$ 80 milhões ao Icasa, resultado de uma decisão judicial referente à não ascensão do clube à primeira divisão do futebol nacional em 2014.
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A disputa judicial teve seu início na Série B de 2013, quando o Icasa questionou a permanência do Figueirense na competição após uma suposta irregularidade na escalação do jogador Luan. A pendência legal culminou no pagamento da indenização pela confederação mais de uma década depois.
Mesmo excluindo esse valor específico, o resultado financeiro ainda seria negativo, ultrapassando a marca de R$ 100 milhões. A justificativa apresentada pela CBF aponta para um conjunto de investimentos realizados com o objetivo de regularizar passivos herdados de gestões anteriores.
Outro ponto que afetou as finanças da CBF está relacionado às operações da Seleção Brasileira. Sob o comando de Carlo Ancelotti, houve um aumento nos deslocamentos para compromissos oficiais, incluindo jogos das Eliminatórias e partidas amistosas, o que elevou os custos logísticos para R$ 27 milhões.
Adicionalmente, foram destinados R$ 13 milhões para ações de marketing e R$ 9 milhões para tecnologia e serviços de consultoria nas áreas institucional, esportiva e jurídica. Um fator adicional que influenciou o fluxo de caixa foi a antecipação de receitas oriundas do contrato com a Nike, que foram contabilizadas no exercício anterior, resultando em menor entrada de recursos em 2025.
Apesar do resultado financeiro adverso, a arrecadação total da entidade demonstrou crescimento. A receita bruta alcançou R$ 1,7 bilhão, representando um acréscimo de aproximadamente R$ 200 milhões em comparação com o ano anterior.
O diretor financeiro, Valdecir de Souza, ressaltou que os gastos estão inseridos em um processo de modernização administrativa, visando maior eficiência e alinhamento com as práticas de grandes organizações do futebol mundial, como a FIFA.
Por sua vez, o presidente Samir Xaud enfatizou que a atual prioridade reside na reorganização das finanças e na quitação de débitos trabalhistas e com clubes. Segundo ele, a estratégia adotada busca estabelecer bases sólidas para futuros resultados positivos, mesmo diante do déficit registrado no período.
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