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Quarta-feira, 01 de Julho 2026
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Direitos Humanos

Crimes virtuais contra mulheres no RJ: média de 16 vítimas diárias em 2025

Dossiê Mulher 2026 do ISP revela aumento de 1.300% em crimes de violência psicológica e moral online na última década, com misoginia adaptada ao ambiente digital.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Crimes virtuais contra mulheres no RJ: média de 16 vítimas diárias em 2025
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Em 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou uma média diária de 16 mulheres vítimas de crimes virtuais, totalizando 5.970 ocorrências. Essa estatística alarmante, parte do Dossiê Mulher 2026 divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), reflete um crescimento de mais de 1.300% em crimes de violência psicológica e moral pela internet contra mulheres na última década, evidenciando a adaptação da misoginia ao ambiente digital.

O levantamento aponta que, ao longo de 2025, 159.041 mulheres e meninas sofreram alguma forma de violência no Rio de Janeiro, o que equivale a aproximadamente 18 vítimas por hora. O perfil predominante das vítimas é de mulheres negras (52,3%), solteiras (47,9%) e jovens na faixa etária de 18 a 29 anos (29,8%).

Disseminação de discurso de ódio online

O estudo inédito destaca a disseminação de discursos de ódio e a ascensão do movimento conhecido como "redpill" nas redes sociais. Esses fenômenos demonstram como a misoginia se manifesta e se expande no ambiente digital, gerando novas formas de violência de gênero.

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O termo "redpill" é associado a grupos de homens que promovem o "masculinismo", em oposição ao feminismo, defendendo a submissão feminina e a retomada do domínio masculino.

Comparando com 2015, o primeiro ano da série histórica, quando 239 vítimas foram registradas em crimes virtuais, o aumento para 5.970 vítimas em 2025 é drástico. Desse total, 3.417 casos (57%) foram de violência psicológica, marcando o quinto ano consecutivo como a violação mais recorrente.

Adicionalmente, os ambientes digitais têm sido utilizados para o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Em 2025, cerca de 10% desses descumprimentos ocorreram via redes sociais, aplicativos de mensagens e até transferências via PIX, usadas para monitorar ou perseguir as vítimas.

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Adaptação do discurso misógino no ambiente digital

Uma análise aprofundada sobre a violência digital e o movimento "redpill" na plataforma X (antigo Twitter) revela um fortalecimento dos discursos misóginos. Estes se adaptam para disseminar ódio e atacar mulheres online, mesmo diante de políticas de proteção à mulher.

“É muito triste ver que o público jovem está sendo atraído por esse discurso. Estamos regredindo em pensamento misógino e machista, o que vai contra todos os ganhos recentes”, lamentou Bárbara Caballero, diretora-presidente do ISP.

Em março, o Senado aprovou um projeto de lei que criminaliza a misoginia, inserindo o delito na Lei do Racismo. A proposta aguarda análise da Câmara dos Deputados.

Violência física e feminicídio continuam altos

A violência física manteve-se como a segunda forma mais frequente, com 43.307 vítimas em 2025, uma ocorrência a cada 12 minutos. Lesões corporais dolosas somaram 42.363 casos, sendo que em mais da metade os agressores eram companheiros ou ex-companheiros.

As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) registraram 28,3% de todas as violências contra mulheres no estado, com uma denúncia a cada 12 minutos em média.

O estudo também aponta 105 feminicídios em 2025 no Rio de Janeiro. A maioria ocorreu em residências (83,8%), com companheiros como autores em mais da metade dos casos (51,4%). Mais de 70% das vítimas já haviam sofrido violência doméstica prévia sem registrar ocorrência.

Os dados indicam que 67,3% dos autores possuíam antecedentes criminais e que 78,2% dos feminicídios foram motivados por ciúmes, separação ou discussões banais. Quase metade dos agressores (46,4%) estava sob efeito de álcool ou drogas. Entre as vítimas, 59% eram mães, e 71% delas deixaram filhos menores de idade.

Violência sexual afeta principalmente meninas

A violência sexual atingiu 8.681 mulheres e meninas em 2025, com meninas de 13 anos concentrando a maior parcela das vítimas. O estupro de vulnerável liderou os registros (3.415), seguido pela importunação sexual (2.723) e estupro (1.653).

Quase metade das vítimas de estupro de vulnerável tinha até 11 anos. Em 46,6% dos casos, o crime ocorreu no ambiente doméstico, e mais da metade dos agressores era conhecida da vítima, incluindo pais e padrastos em 21,3% das ocorrências.

A importunação sexual cresceu 11,6% em relação ao ano anterior. O assédio sexual teve redução de 10,3%, enquanto o ato obsceno aumentou 3,5%.

Assista à reportagem sobre a pesquisa no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil
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