Diante da pressão para regularizar os jogos online, especialmente entre as camadas de menor renda, o governo federal está avaliando novas estratégias para evitar que recursos do Bolsa Família sejam utilizados em apostas. As propostas em análise incluem a possibilidade de bloquear o uso do cartão do programa social para pagamentos em plataformas de jogos e a transferência da titularidade do benefício caso o titular utilize o dinheiro para apostas.
Atualmente, o titular do cartão é escolhido entre os membros adultos da família, e a proposta é que, se esse titular fizer uso indevido dos recursos, o benefício possa ser transferido para outro membro. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que a monitorização dos gastos será realizada por meio do CPF, permitindo identificar se os recursos foram utilizados de maneira inadequada. Em caso de uso indevido, o governo poderá alterar o titular do cartão ou suspender o repasse em dinheiro, optando por fornecer cestas básicas ou assistência através de cozinhas solidárias.
Segundo especialistas, bloquear a função de débito do cartão para apostas é a medida mais simples, pois não requer aprovação legislativa. Contudo, restringir os recursos a cestas básicas exigiria mudanças legais significativas, uma vez que alteraria o perfil do benefício.
A implementação dessas medidas levanta questões jurídicas, uma vez que é crucial garantir que os direitos dos beneficiários sejam respeitados. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) está elaborando propostas e realizará reuniões com autoridades competentes e órgãos de controle, incluindo a Defensoria Pública, para discutir a situação.
Recentemente, um relatório do Banco Central revelou que beneficiários do Bolsa Família enviaram cerca de R$ 3 bilhões via Pix a empresas de jogos, com uma mediana de R$ 100 por transferência. Essa informação gera preocupações sobre a origem dos recursos e a possibilidade de uso irregular do CPF em algumas transações. O Ministério da Fazenda também solicitou dados adicionais ao Banco Central para melhor compreender o cenário.
As decisões finais sobre essas medidas caberão ao presidente Lula, que considerará diversas análises e cenários antes de tomar qualquer ação.