O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um abrangente pacote de iniciativas voltadas à preservação e proteção dos biomas brasileiros, além do enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. O anúncio, feito no Palácio do Planalto em Brasília, coincidiu com a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 10 de julho.
As novas ações incluem a assinatura de um decreto para a criação de novas unidades de conservação e a ampliação de áreas já protegidas. Foi sancionada também a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga e um decreto que visa agilizar repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios, com foco na prevenção e combate a incêndios florestais.
“Pela primeira vez, estamos saindo na frente na luta contra as possíveis queimadas, antecipando os efeitos de um El Niño que se prevê violento e de mais desastres climáticos. Estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, declarou o presidente Lula.
Segundo Lula, estas ações reforçam a credibilidade do Brasil no cenário internacional em relação ao cuidado com o meio ambiente.
O país registrou um marco em 2025, com o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas indicando uma área desmatada inferior a 1 milhão de hectares, totalizando 984,7 mil hectares.
A criação de novas unidades de conservação, como o Parque Nacional do Tanaru em Rondônia e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins no Pará, visa conter o avanço do desmatamento. Adicionalmente, os parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, no Piauí, tiveram suas áreas ampliadas, fortalecendo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
Queda expressiva no desmatamento
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a redução do desmatamento em diversos biomas. Ele informou que a Amazônia registrou uma diminuição de 50%, o Cerrado de 32% e o Pantanal de 63%.
Capobianco ressaltou que, desde 2023, o Brasil retomou a governança ambiental, priorizando a questão climática e ambiental nas políticas públicas nacionais.
“Saímos de um período de desestruturação institucional para reconstruir as capacidades do Estado, fortalecer os órgãos ambientais, recuperar instrumentos de planejamento e restabelecer a coordenação entre o Governo Federal, os estados, os municípios e a sociedade. Mas fizemos mais do que reconstruir a estrutura do Estado. Consolidamos a compreensão de que a política ambiental não pode ser tratada como tema do lado”, explicou o ministro.
Investimentos robustos anunciados
Durante o evento, foram anunciados investimentos de R$ 2 bilhões destinados a ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Adicionalmente, foram assinados atos que destinam R$ 834 milhões do Fundo Clima para projetos de restauração da vegetação nativa propostos por empresas e organizações da sociedade civil. Estes recursos, administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são reembolsáveis.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, classificou o financiamento como um marco importante.
“Além de enfrentar o desmatamento, nós estamos reconstruindo as nossas florestas. E isso é uma coisa que ninguém está fazendo no mundo como nós estamos fazendo. Esses R$ 834 milhões vão gerar R$ 3 bilhões, porque tem dinheiro das empresas que está entrando também para restaurar, para reconstruir nossas florestas”, afirmou Campello.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, é reconhecido como o primeiro grande evento global sobre o tema.