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Segunda-feira, 02 de Fevereiro 2026

Direitos Humanos

Jovens latino-americanos e caribenhos debatem estratégias contra a fome

O evento culminará em um documento coletivo, espelhando as perspectivas da sociedade civil, a ser apresentado aos representantes dos Estados-membros da FAO durante a 39ª Conferência Regional.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Jovens latino-americanos e caribenhos debatem estratégias contra a fome
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Medidas como o aprimoramento de programas sociais, a exemplo do Bolsa Família e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o fomento à agricultura familiar, a oferta de capacitação e acesso a inovações tecnológicas, além da disponibilização de crédito para produtores de pequeno e médio porte, foram cruciais para que o Brasil se desvinculasse, pela segunda vez, do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2025. Essa perspectiva foi apresentada por Rene Orellana, representante regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e Caribe, durante a abertura do Fórum de Juventudes para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares da América Latina e Caribe, realizada nesta segunda-feira (25) em Brasília.

“As políticas implementadas nos anos recentes fortaleceram a segurança alimentar no Brasil, um país que serve de modelo por adotar abordagens integrais e holísticas. Elas beneficiam o consumo, o mercado, os próprios produtores e promovem alianças estratégicas entre grandes, médios e pequenos agricultores, o que é fundamental para a complementaridade do setor”, afirmou Rene Orellana, da FAO.

A reunião, que congrega jovens do setor rural de nações latino-americanas e caribenhas, integra um ciclo de consultas com diversos segmentos da sociedade civil. Essas discussões são preparatórias para a 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (Larc39), agendada para acontecer de 2 a 6 de março na capital brasileira.

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Rene Orellana, representante da Bolívia, detalhou que as diversas experiências compartilhadas pelos jovens presentes em Brasília serão compiladas em um documento conclusivo. Este servirá como um canal para registrar as principais propostas e necessidades, considerando as variadas realidades dos países da região e os distintos estágios de desenvolvimento agrícola e industrial.

“Nossa expectativa é que essa bagagem de experiências e conhecimentos dos jovens seja aplicada na elaboração de um documento que oriente e ilumine os debates dos documentos oficiais a serem tratados na conferência regional de março”, declarou.

A perspectiva da juventude

Na cerimônia de abertura do Fórum de Juventudes, Vitória Genuino, a recém-empossada secretária Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência, enfatizou a importância de incorporar as soluções já desenvolvidas localmente por jovens e movimentos sociais, a fim de que sirvam de inspiração.

“Podemos abordar esses desafios utilizando a tecnologia social já existente. O intercâmbio de realidades e vivências é crucial para a formulação de políticas públicas que se baseiem nas iniciativas já implementadas pela sociedade civil”, reiterou a secretária Nacional de Juventude.

Do ponto de vista governamental, a secretária Vitória Genuino apontou que o governo federal dispõe de recursos como assistência técnica e extensão rural para jovens produtores, além de outras inovações destinadas a combater a fome e a insegurança alimentar em regiões periféricas do Brasil, citando como exemplo o Programa Cozinha Solidária, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Hilda López, representante da Guatemala e da Liga Continental das Mulheres Indígenas e Camponesas da América Latina, expressou preocupação com a escassez de jovens em fóruns decisórios relacionados à segurança alimentar e à mitigação da crise climática.

“Com um espaço como este, há um vasto potencial de habilidade, talento e criatividade para que a juventude possa promover transformações significativas frente aos desafios atuais, que muitas vezes decorrem da ausência de decisões baseadas nas contribuições dos jovens”, declarou.

Essa perspectiva é corroborada por Jorge Meza, representante da FAO no Brasil. O diplomata equatoriano defende o papel central e a capacidade de influência dos jovens para fiscalizar e aprimorar os programas governamentais em curso em seus países.

“É essencial que os jovens ocupem ambientes como este para que possam se engajar de forma organizada, sistêmica e construtiva, superando a mera discussão sobre o desenvolvimento rural, agrícola e o combate à pobreza”, argumentou.

Desafios e propostas

Durante o Fórum de Juventudes para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares da América Latina e Caribe, os participantes expuseram as barreiras estruturais que limitam seu acesso a recursos produtivos, emprego digno, capital, educação e outras oportunidades essenciais.

Eduardo Peralta, coordenador de uma rede regional de jovens indígenas da América Latina e do Caribe, originário do povoado quéchua de Otavalo, na região andina do Equador, apresentou estratégias para confrontar a crise global desencadeada pelas alterações climáticas, poluição e diminuição da biodiversidade, visando o fortalecimento da soberania alimentar.

“É fundamental zelar pela Mãe Terra, a Pachamama, pois é ela quem nos provê o alimento; de lá tudo emerge, a raiz de onde a vida brota. Por meio dessas sementes, nós também existimos. Elas representam a fonte primordial de tudo”, salientou o líder equatoriano.

Em relação ao êxodo rural, que impulsiona a migração precoce de jovens de suas comunidades em busca de melhores condições nos centros urbanos, Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, argumenta pela necessidade de levar tecnologia e inovação para as áreas rurais, florestais e ribeirinhas.

“É imperativo que o Estado fomente a criação de oportunidades para que os jovens permaneçam no ambiente rural. A juventude demonstra maior abertura para atuar em cenários de inovação e tecnologia. Ao serem aplicadas no setor rural, essas ferramentas podem integrá-los ao processo de modernização das atividades produtivas”, observou.

Colaboração e diálogo

Adicionalmente à consulta com as juventudes latino-americanas, ocorrida esta semana, os ciclos de diálogo com a sociedade civil incluirão a escuta de agricultores familiares, comunidades camponesas e afrodescendentes, povos indígenas, pescadores, pastores e consumidores de várias localidades da América Latina e Caribe.

Conforme informado pela FAO, nas últimas duas semanas, já foram realizadas consultas regionais com representantes dos setores privado, científico e acadêmico, com o propósito de assegurar a coesão regional em discussões políticas de dimensão global.

Ao término do evento, será elaborada uma declaração conjunta, que sintetizará o posicionamento da sociedade civil, a ser apresentada aos delegados dos Estados-membros da FAO durante a 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (Larc39).

A conferência regional da FAO

A Conferência Regional da FAO constitui um fórum bienal de diálogo técnico e político, dedicado à análise dos progressos e obstáculos na luta contra a fome e a má nutrição. O evento estabelece as diretrizes prioritárias de ação para o biênio subsequente, neste caso 2026-2027, visando o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de erradicar a fome, assegurar a segurança alimentar, aprimorar a nutrição e impulsionar a agricultura sustentável até o ano de 2030.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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