Uma pesquisa inédita encomendada pelo Instituto Alana e divulgada nesta quarta-feira, no Dia Nacional da Juventude, analisou o uso da internet por adolescentes no Brasil. O estudo Adolescência Sem Filtro, realizado pela Agência Koga com mais de 500 jovens entre 13 e 18 anos, revelou um público consciente sobre os impactos negativos do ambiente virtual, no qual 71% exigem mudanças nas plataformas para garantir maior segurança e bem-estar.
Embora a experiência online seja vista como positiva por 71% dos entrevistados, que buscam diversão e conexão, os dados mostram um forte sentimento ambivalente. Metade dos participantes admitiu passar mais tempo conectado do que gostaria, enquanto 41% relataram sentir dependência do celular e 39% reconheceram ter prejuízos nos estudos por conta do excesso de tela.
A percepção crítica da juventude reflete o desejo por medidas concretas: 49% defendem que as próprias empresas de tecnologia devem se responsabilizar por um ambiente melhor, e 43% exigem maior controle sobre os conteúdos veiculados. Para mitigar os riscos, 44% já costumam bloquear contas nocivas e 32% fazem pausas intencionais ao longo do dia.
Para Gabriela Barbosa, especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, os jovens compreendem que as redes foram desenhadas para reter a atenção. Por isso, tentam gerenciar o próprio tempo, equilibrando os benefícios de pertencimento e aprendizado com estratégias de autocuidado e proteção ativa na rede.
Hábitos e redes sociais
As redes sociais lideram a preferência dos entrevistados, sendo citadas por 46% como a principal atividade online, seguidas por conversas com amigos (37%), jogos (30%) e estudos (23%). Plataformas como TikTok e Instagram foram apontadas como espaços de alívio para o tédio, mas também de forte construção de identidade e sociabilidade.
O comportamento também diverge entre os gêneros. Os meninos utilizam o ambiente virtual majoritariamente para jogos eletrônicos (66%, contra 44% das meninas). Já o público feminino se conecta com maior frequência para interagir com amigos e familiares (64%, contra 50% dos meninos) e para realizar tarefas escolares (60%, contra 46%).
Metodologia com protagonismo juvenil
A fase qualitativa do levantamento contou com oito pesquisadores adolescentes, entre 13 e 18 anos, treinados para conduzir as entrevistas com os pares. A abordagem evitou visões adultocêntricas, proporcionando um ambiente de escuta livre e seguro para que os participantes expressassem opiniões sinceras sobre suas vivências digitais.
Apesar de o estudo apontar que 69% dos jovens estão abertos a receber ajuda contra o vício digital, apenas 19% acreditam ter capacidade para mudar a internet. Gabriela ressalta a importância de abrir espaço para que as juventudes integrem debates decisórios, transformando o senso crítico dessa geração em ações efetivas de transformação.
Iniciativa Prêmio Criativos 2026
Mobilizado por esse cenário, o Instituto Alana abriu inscrições para a nona edição do Prêmio Criativos, com o tema A internet é nossa. A iniciativa incentiva estudantes de 10 a 18 anos a criarem soluções práticas para tornar o universo online mais acolhedor, inclusivo e seguro.
Estudantes do ensino fundamental II e médio podem enviar projetos até 2 de setembro, com anúncios dos vencedores previstos para dezembro. Pela primeira vez, a premiação inclui uma categoria de audiovisual para vídeos e podcasts, além das modalidades tradicionais que abrangem aplicativos, jogos e campanhas.
Os projetos podem abordar temas como cyberbullying, saúde mental, inteligência artificial e tempo de tela. No total, a premiação distribuirá R$ 12 mil entre os nove trabalhos vencedores que se destacarem na construção de um espaço digital mais saudável.