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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
Direitos Humanos

Cristo Redentor recebe iluminação com mensagens contra a violência

Monumento foi iluminado na cor teal para marcar o início da campanha 'Feminicídio Nunca Mais', um símbolo global de apoio a vítimas de agressão.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Cristo Redentor recebe iluminação com mensagens contra a violência
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Na noite de terça-feira (3), o Cristo Redentor foi iluminado com projeções de mensagens de combate à violência contra as mulheres, marcando o lançamento da campanha “Feminicídio Nunca Mais”. A iniciativa emprega o futebol como ferramenta de mobilização social em preparação para a Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027, que ocorrerá no Brasil.

O evento, realizado aos pés do monumento, contou com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva, da ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), e de representantes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e da Petrobras. Veteranas do futebol feminino, que participaram de uma campanha para a TV Brasil, também estiveram presentes, juntamente com o público. A campanha é liderada pela NO MORE Week, um movimento internacional focado na conscientização sobre o impacto da violência doméstica e sexual.

Para assinalar o início da campanha no país, o monumento foi banhado na tonalidade teal (verde-azulado) — reconhecida mundialmente como um símbolo de solidariedade às sobreviventes de violência — e exibiu projeções com mensagens voltadas ao enfrentamento do feminicídio.

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A cerimônia teve abertura conduzida pelo reitor do Santuário do Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, responsável pelas atividades religiosas no local. Durante seu discurso, ele ressaltou o significado histórico do Cristo Redentor e sua conexão com a atuação feminina.

Segundo o religioso, a própria concepção do monumento tem inspiração feminina. “O Cristo Redentor foi concebido sob a inspiração de uma figura feminina redentora, a princesa Isabel”, explicou.

Padre Omar também chamou a atenção para um detalhe da escultura: suas mãos. Ele mencionou que os braços alongados e as mãos abertas da imagem foram inspirados nas mãos de mulheres, tendo como referência uma artista que residia em Santa Teresa durante a construção.

Durante o evento, foi anunciado o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, a primeira premiação nacional dedicada exclusivamente ao futebol feminino.

Antônia Pellegrino, diretora de Conteúdo e Programação da EBC, destacou o papel da comunicação pública em aumentar a visibilidade do esporte feminino.

“Desde 2024, a TV Brasil adota uma postura estratégica: ser a plataforma do futebol feminino. Atualmente, detemos a maior parte dos direitos de transmissão da modalidade na TV aberta”.

Ela acrescentou que a emissora contribui para a construção de visibilidade, indo além da simples transmissão de jogos. “Visibilidade, no contexto feminino, significa reconhecimento, legitimidade e a construção de futuros promissores”, afirmou.

Pioneiras do futebol feminino

O evento reuniu também ex-jogadoras do futebol feminino brasileiro, que participaram do vídeo institucional da campanha contra a violência, a ser veiculado pela TV Brasil durante as transmissões da modalidade.

Entre elas estava Rosilane Camargo Mota, conhecida como Fanta 21, uma das figuras pioneiras da seleção feminina brasileira. Ela relembrou os obstáculos enfrentados pelas jogadoras em um período em que o futebol feminino era proibido no país.

“Meu nome de batismo é Rosilane Camargo Mota, mas poucas pessoas me conhecem por ele. Todos me chamam de Fanta 21. Sou uma das pioneiras da seleção e sou muito grata por ter vivenciado essa trajetória”, declarou.

A ex-atleta expressou o desejo de que a realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil contribua para um maior reconhecimento das jogadoras que pavimentaram o caminho para o esporte no país.

“Após toda a luta que enfrentamos no passado, com tantas adversidades, a esperança é que agora novas portas se abram e que nossa história seja lembrada”, comentou.

Fanta também ressaltou a importância de associar o esporte ao combate à violência contra as mulheres.

“Participei desta campanha hoje porque este é um problema que vivenciamos diariamente. Esperamos que o futebol feminino fortaleça essa luta e que possamos, assim, contribuir para erradicar essa violência.”

Esporte como motor de transformação

Daniela Grelin, diretora executiva da No More Foundation no Brasil, explicou que o lançamento da representação brasileira da organização visa intensificar a articulação internacional no combate à violência de gênero.

“Estamos todos no mesmo campo de jogo. Ou jogamos em prol da vida das mulheres, ou jogamos contra. A violência contra mulheres não afeta apenas as vítimas diretas; ela impacta famílias, escolas, comunidades e gerações inteiras”, declarou.

Segundo ela, a campanha aposta no potencial transformador do esporte. “Quando os sistemas esportivos promovem a igualdade de gênero, valorizam lideranças femininas e mobilizam atletas como exemplos positivos, é possível alterar as normas sociais relacionadas a poder, masculinidade e violência.”

A iluminação do Cristo Redentor também simboliza a conexão da campanha com outras nações. Nos próximos dias, monumentos e edifícios públicos em Nova York — cidade que sediará jogos da Copa do Mundo feminina — serão iluminados com a mesma tonalidade.

Durante a cerimônia, a primeira-dama Janja Lula da Silva enfatizou o potencial do futebol para expandir a discussão sobre a violência contra as mulheres.

“O futebol é amplamente considerado a paixão nacional. No entanto, é ainda mais significativo que o futebol feminino traga essa pauta para o debate. As atletas serão protagonistas de uma Copa do Mundo em nosso país e podem abordar este tema com grande força”, afirmou.

De acordo com ela, o esporte possibilita alcançar públicos diversificados.

“O futebol é uma linguagem universal e acessível a todas as classes sociais. Utilizar os campos de futebol para discutir o combate à violência contra a mulher é essencial”, disse.

Janja também mencionou que as próprias jogadoras enfrentam diversas formas de violência, como a misoginia e a disparidade salarial.

“Espero que os jogadores de futebol masculino também reconheçam a importância de sua participação neste debate e disseminem essa mensagem através de seu esporte.”

André Basbaum, presidente da EBC, declarou que a mobilização busca estimular uma resposta social diante dos elevados índices de violência no país.

“A violência contra a mulher é um problema escandaloso no Brasil. Precisamos reagir, não apenas com educação, mas também com a devida punição aos agressores”, afirmou.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ressaltou o papel do esporte como instrumento de transformação social.

“Ao unir esporte, liderança e mulheres em posições de poder, impulsionamos a redução da violência. O esporte deve ser cada vez mais empregado para a conscientização”, declarou.

Mobilização social

Entre os presentes no evento estava Dilceia Quintela, professora e ativista do movimento feminista de combate ao feminicídio. Para ela, a mobilização é crucial para aumentar a conscientização da sociedade.

“A relevância deste evento reside em chamar a atenção para a luta contra o feminicídio. Esta deve ser uma causa de todos: homens, mulheres, esporte, arte e cultura”, afirmou.

Segundo ela, a inclusão de homens na campanha é fundamental para lidar com o problema.

“Precisamos conscientizar os homens também, pois são eles os perpetradores. Esta campanha chega em um momento oportuno”, disse.

Dilceia citou pesquisas que indicam um aumento da violência doméstica em dias de jogos de futebol masculino, o que reforça a necessidade de promover novas narrativas dentro do esporte.

“Considerar o futebol feminino como uma estratégia de conscientização é de suma importância. Precisamos ocupar todos os espaços para combater essa violência, que já se configura como uma pandemia global”, afirmou.

O lançamento da campanha foi precedido por um debate no programa Sem Censura, da TV Brasil, exibido na tarde de terça-feira (3). Janja Lula da Silva, Daniela Grelin e Antônia Pellegrino discutiram a importância de engajar a sociedade contra o feminicídio e de utilizar o esporte e a comunicação pública para ampliar a conscientização.

Durante o programa, Janja mencionou que o Brasil registrou 1.470 mulheres assassinadas no ano anterior, um recorde histórico. Para ela, o combate ao feminicídio exige uma mudança cultural e a colaboração entre os três poderes e a sociedade.

“Queremos que o sistema funcione. Não podemos normalizar esses crimes. É preciso abordar o tema e, sobretudo, agir”, afirmou.

Lançada em 2013, a campanha No More evoluiu para um movimento global de conscientização contra a violência doméstica e sexual. A iniciativa busca aumentar a percepção pública, oferecer suporte a sobreviventes e promover transformações culturais que previnam a violência antes que ela ocorra.

Durante as transmissões de futebol feminino, a TV Brasil apresentará materiais de conscientização com a participação de atletas e personalidades do esporte, como Raí, além das pioneiras da modalidade, reforçando a mensagem de combate à violência contra mulheres e meninas.

FONTE/CRÉDITOS: Anna Karina de Carvalho - Repórter da Agência Brasil
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