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Direitos Humanos

Preocupação com segurança derruba posse de celular entre crianças, revela IBGE

Dados do IBGE para 2025 mostram que 55,2% das crianças de 10 a 13 anos possuíam celular, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação a 2024.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Preocupação com segurança derruba posse de celular entre crianças, revela IBGE
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A preocupação com a segurança e a privacidade dos jovens levou a uma queda inédita na posse de celular entre crianças e pré-adolescentes no Brasil em 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira (2) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), revelam que a proporção de brasileiros de 10 a 13 anos com o aparelho recuou 1,5 ponto percentual em comparação com 2024, atingindo 55,2%. Este é o principal motivo apontado pelos responsáveis para a restrição do acesso.

Pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa em 2016, o percentual de crianças nesta faixa etária com celular registrou declínio. Esse recuo, que levou a proporção para 55,2% em 2025, destaca uma mudança de comportamento e prioridades entre os pais e responsáveis.

A principal justificativa para essa diminuição está na crescente preocupação com a privacidade e a segurança digital. Este motivo foi citado por 32% dos responsáveis que ainda não concederam um aparelho aos seus filhos, representando um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. A série histórica do IBGE aponta que essa preocupação quase dobrou desde 2022.

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Em 2022, a barreira financeira, ou seja, o preço elevado do aparelho, era o fator mais alegado para a ausência de celular entre crianças de 10 a 13 anos. A falta de necessidade e o uso de aparelhos de terceiros também eram mais relevantes. A segurança e a privacidade figuravam apenas em quarto lugar na lista de preocupações.

O analista do IBGE, Gustavo Fontes, ressalta que o grupo de 10 a 13 anos foi o único a apresentar queda na posse de celular em 2025. Enquanto isso, outras faixas etárias mantiveram um crescimento, elevando o uso geral de celulares para 89,8% da população brasileira.

"Observamos uma preocupação crescente com a segurança e a exposição de crianças em redes sociais, por exemplo. Além disso, em 2025, houve restrições ao uso de celulares em ambientes escolares", explica Fontes, contextualizando o cenário.

Corroborando essa tendência, a pesquisa também registrou uma ligeira diminuição no acesso à internet para essa mesma faixa etária, passando de 84,9% para 84,4%, independentemente do dispositivo utilizado. Para as crianças desconectadas, a falta de necessidade é o motivo principal, mas a segurança e a privacidade surgem como a segunda maior preocupação.

Assim como na posse de celular, este foi o único grupo etário a mostrar declínio no acesso à internet. Houve estabilidade entre adolescentes de 14 a 19 anos, enquanto o uso geral da internet pela população brasileira cresceu de 89,2% para 90,5%.

Avanço da tecnologia entre idosos

Em contraste com o cenário infantil, a pesquisa do IBGE destaca o significativo avanço da tecnologia entre os idosos. Em 2025, 74,5% dos brasileiros com mais de 60 anos acessavam a internet, um salto de 4,4 pontos percentuais em relação a 2024 e de mais de 29 pontos percentuais desde 2019. A posse de celular nessa faixa etária também aumentou, de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.

Para os idosos que ainda não estão conectados, a principal barreira não é a segurança, mas sim a falta de conhecimento sobre como utilizar a internet e o celular, uma realidade distinta da observada entre as crianças.

Gustavo Fontes, do IBGE, enfatiza a crescente integração da internet no cotidiano. "A internet está cada vez mais inserida no cotidiano. Muitos serviços hoje são feitos pela internet, então existe um certo estímulo para os idosos buscarem utilizá-la", afirma.

As múltiplas utilidades da internet são evidentes nos dados de 2025. Cerca de 74,2% das pessoas acessaram bancos ou outras instituições financeiras online, um aumento de 14,4 pontos percentuais desde 2022. O acesso a serviços públicos pela rede também cresceu de 33,2% para 41,1% no mesmo período.

Pela primeira vez no ano passado, mais da metade da população conectada (52,7%) declarou ter comprado ou encomendado bens ou serviços pela internet, superando os 47,9% registrados anteriormente.

Entre as 12 funcionalidades pesquisadas, as mais frequentes são "conversar por chamadas de voz ou vídeo", com 95,3% dos usuários de internet, seguida por "enviar mensagens de texto, voz e imagens por aplicativos" (90,2%) e "assistir vídeos, incluindo programas, filmes e séries" (89,3%).

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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