Na última semana, o governo federal sinalizou a possibilidade de reintroduzir o horário de verão como uma estratégia para economizar energia e otimizar a geração a partir de fontes solar e eólica. O foco principal é reduzir a pressão sobre o sistema elétrico, que atualmente depende fortemente das hidrelétricas, responsáveis por quase metade da produção de energia do Brasil. No entanto, o cenário climático atual, marcado por altas temperaturas e escassez de chuvas, impactou negativamente a capacidade dessas usinas, como evidenciado pela paralisação parcial da usina Santo Antônio, em Rondônia, devido à falta de água no rio.
Para compensar essa deficiência, o governo aposta nas energias eólica e solar, que atualmente representam 15% e 7,5% da matriz energética, respectivamente. Contudo, essas fontes enfrentam desafios durante os horários de pico, entre 18h e 19h, quando a produção solar já não está disponível e a eficiência eólica diminui. O aumento da demanda por energia neste período tem levado à necessidade de acionar usinas termoelétricas, resultando em tarifas mais elevadas para os consumidores.
A proposta de adiantar os relógios em uma hora busca aliviar essa pressão ao reduzir a demanda nesse horário crítico, permitindo um melhor aproveitamento das energias renováveis. Apesar disso, a efetividade dessa medida é questionada, pois a demanda por energia não se limita ao final da tarde, especialmente devido ao uso intensivo de ar-condicionado durante o dia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância de avaliar qualquer medida que possa contribuir
para a segurança do setor e a modicidade tarifária. Além dos benefícios energéticos, a reintrodução do horário de verão poderia também estimular setores econômicos, como turismo e comércio. O ministério está atualmente realizando um estudo sobre a viabilidade da proposta, com uma reunião prevista para decidir sobre a implementação. A expectativa é que essa análise seja concluída ainda nesta semana, considerando as complexidades envolvidas e o impacto em diversas áreas.